sexta-feira, 5 de julho de 2019

A Libra, do Facebook, será uma nova moeda global?

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Sem vínculo com um banco central, um governo ou um país, a moeda digital bitcoin sempre foi vista com uma mistura de admiração e desconfiança. Havia quem visse nela um projeto libertário para criar uma moeda global que fosse autorregulada e capaz de driblar a interferência e o controle político dos governos. Com o bitcoin, pela primeira vez, era possível transferir dinheiro entre contas localizadas em países diferentes sem a burocracia que normalmente envolve esse tipo de transação.
Mas a autorregulação, como se sabe, tem outros problemas. Sem a supervisão de uma autoridade monetária e dos mecanismos de estabilização, o bitcoin fica sujeito a uma variação, literalmente, desgovernada. Em 2015, uma unidade de bitcoin valia 1.800 reais. Dois anos depois, seu valor havia subido para 49.500 reais, para depois cair para 15.000 em dezembro do ano passado. Além da alta volatilidade, usar um bitcoin não é um procedimento simples, o que acaba deixando de fora a maioria da população.
Por essas dificuldades todas, o bitcoin não chegou a decolar. Mas a ideia de uma moeda global não foi esquecida. Agora a rede social Facebook aliou-se a 27 empresas — entre elas a bandeira de cartões de crédito Visa, o aplicativo de transporte Uber, o sistema de pagamento digital Mercado Pago e a loja online eBay — para criar sua própria moeda digital, chamada libra.
Sem relação com a britânica libra esterlina, a libra é diferente do bitcoin. Ela se encaixa em uma categoria de moedas digitais chamada de stablecoin (“moeda estável”). Nesse caso, o valor dessas moedas é atrelado a outro tipo de ativo, que pode ser um título do Tesouro americano ou uma cesta de moedas — como o dólar, o euro, a libra esterlina e o iene. A ideia é garantir que o valor da moeda digital seja sempre equivalente ao desses outros ativos, para dar mais confiança e estabilidade. No caso da libra, o plano é manter uma espécie de reserva em títulos públicos e depósitos bancários que será usada para sustentar seu valor.
O plano do Facebook é que a libra possa ser usada diretamente na rede social, que, sozinha, tem 1,7 bilhão de usuários. Para Yuval Ben-Itzhak, presidente da Socialbakers, consultoria especializada em mídias sociais, a libra é uma tentativa de fazer o que o bitcoin nunca conseguiu: tornar-se popular e fácil de usar. “Usar uma moeda digital em vez de um cartão de crédito dá mais flexibilidade e escala para o serviço, sem que ele perca a segurança ou a privacidade oferecidas pela experiência de compra com o cartão de crédito convencional”, diz Ben-Itzhak.
Uma moeda gerida por empresas e lastreada em ativos de países de Primeiro Mundo pode ser benéfica do ponto de vista de estabilidade monetária e adoção global. No entanto, ela também traz riscos. Para Saifedean Ammous, professor de economia e autor do livro The Bitcoin Standard (“O padrão bitcoin”, numa tradução livre), moedas como a libra, vinculadas ao dólar, podem afetar as moedas de países pobres e até tirar do jogo empresas tradicionais do ramo de pagamentos, como PayPal e Western Union. “Para bilhões de pessoas, uma libra baseada no dólar americano, que funcione num celular em qualquer lugar do mundo, será superior à moeda nacional. Se bem-sucedida, a libra provavelmente vai destruir as moedas de Terceiro Mundo ou forçá-las a se tornar vinculadas ou baseadas no dólar americano”, diz Ammous.
Fonte: exame.abril.com.br

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