terça-feira, 3 de setembro de 2019

A moeda do Planeta Facebook vai mesmo existir?

Crédito: Depositphotos

Nos últimos tempos muita polêmica foi criada em torno do lançamento da Libra, que nada tem a ver com a moeda britânica, mas poderá ser a joia da coroa do Facebook. Uma moeda utilizada nas mais diversas transações que não teria fronteiras ou entraves com conversão de câmbio, uma verdadeira revolução financeira, que, por isso mesmo, rapidamente ficou sob a mira de políticas financeiras territoriais. 
A Libra funcionaria como uma carteira global, estável, sem a flutuação constante das moedas físicas. Será possível pagar o Spotify, comprar no Mercado Livre, chamar um Uber e, quem sabe um dia, pagar tudo que você quiser com a Libra.
Mas será mesmo? 
Prestes a lançar um inovador modelo monetário digital com a emissão da sua própria criptomoeda, Zuckerberg já vê sua criação ameaçada antes mesmo de entrar em circulação. Será que a Libra irá resistir à regulamentação em tantos países com legislações e economias tão diferentes? Como garantir a segurança de transações internacionais? Como não colocar o sistema em risco de colapso?
São muitas as dúvidas e parece cada vez mais improvável que consiga vencer todos os desafios inerentes às inovações desta envergadura. O Facebook tem respostas para muitas perguntas e um plano de negócios muito bem desenhado, mas se a Libra vai mesmo sair do papel e virar moeda ainda teremos que pagar pra ver.
Para conceber a moeda, o Facebook estruturou um consórcio que reúne 29 empresas e ONGs. Com um aporte de US$ 10 milhões de cada uma, empresas como a Vodafone, Uber e o Mercado Livre entraram nessa empreitada. A união destas gigantes prevê a formação de um sistema monetário global que colocaria em circulação uma moeda para ser utilizada no ambiente digital pelo número impressionante de 2,7 bilhões de usuários ativos da rede social e suas plataformas. Assim, junto com o tsunami de fintechs que estão revolucionando o mercado financeiro, a Libra se apresenta, se viabilizada, como mais uma disrupção aos bancos tradicionais.
Facebook
Há também potenciais usuários da moeda em plataformas de outras empresas de tecnologia, o que levou à organização de um grupo para administrar a criptomoeda para alcançar, além dos usuários do Facebook, um número ainda mais significativo de pessoas, ajudando a reforçar o poder financeiro do consórcio na medida em que mais consumidores venham a adotar a moeda como forma de pagamento.
Uma nova subsidiária do grupo, a Calibra, será responsável pela “credibilidade” da moeda. O grupo irá funcionar independentemente do Facebook com o propósito de “regular” a moeda. 
E por que isso?
É simples. Você confiaria sua vida financeira a uma empresa como o Facebook? A mesma que já deixou vazar dados de usuários? É aí que a Calibra entra para “descontaminar” o consórcio dessa má reputação.
Há cerca de 3 anos, escrevi um artigo sobre os primórdios das transações bancárias digitais e do nascimento das moedas virtuais. Como toda nova tecnologia, não demorou para inovação avançar sobre os modelos monetários que vigoraram durante séculos, com moedas emitidas exclusivamente pelo Banco Central e com valor vinculado aos altos e baixos de moedas estrangeiras mais fortes.
A Libra tem como um dos argumentos a seu favor o de que a exclusão financeira é estimado em 2,5 bilhões de pessoas (praticamente um Facebook inteiro). E ela traria para dentro de um novo sistema econômico essas bilhões de pessoas no mundo que não são clientes dos bancos tradicionais. Seria um benefício sem precedentes para populações que sofrem com a falta de alternativas de serviços financeiros e pagam taxas enormes para transacionar dinheiro. 
Mas a ideia de reunir os continentes, numa espécie de reviver a Pangeia, excluindo barreiras comerciais e de câmbio e os limites fronteiriços, me parece um pouco estranha, diria utópica. O especialista em finanças Chris Skinner levanta essa controvérsia: Como uma criptomoeda chegaria aos não bancarizados e aos que não consomem em países onde falta água e esgoto? Essas pessoas possuem acesso à internet ou a um smartphone? De que forma, sem ter uma conta bancária, irei fazer a transação de compra da Libra?
A moeda do Facebook foi projetada para não funcionar como o Bitcoin, tampouco ser concorrente, mas poderá ter um impacto ainda maior. Não deve ser um ativo especulativo, mas sim uma forma de dinheiro digital apoiada por uma reserva de ativos. Essa reserva é justamente o depósito que os usuários farão com sua moeda nacional para converter em Libra. 
Vídeo explicativo sobre a Libra. Fonte: Techcrunch
Outro especialista no assunto, Kevin Curran, salienta que todos os membros fundadores da associação passam a ser uma espécie de Visa ou Mastercard para o século XXI. Justamente elas, representantes legítimas do velho mercado financeiro, também são membros da “Libra Association”. 
Será uma mera coincidência ou não estão querendo perder o baile?
Por que a Libra pode dar certo?
Para um dos maiores especialistas em criptomoedas, Courtnay Guimarães, é extremamente interessante a não delimitação territorial que a moeda propõe. Ele questiona a preocupação dos bancos centrais e alerta para o crescimento financeiro que essas empresas unidas poderão ter. Não é para menos. Juntas, elas irão ultrapassar o PIB de grandes potências mundiais. 
Guimarães lembra ainda da vulnerabilidade de sigilo de dados do Facebook, apesar da iniciativa da Calibra. Mas se mostra totalmente seduzido pelo fato das empresas não terem que lidar com questões complexas de câmbio e legislação para operar em inúmeros países, o que seria, sem dúvida, uma grande vantagem para quem realiza negócios com empresas estrangeiras.
Vídeo Courtnay Guimarães sobre a Libra. Fonte: BRQ Digital Solutions
Rosine Kadamani reforça que atitudes fraudulentas são combatidas quando adotado o modelo de blockchain para operar a criptomoeda. A Libra será um modelo descentralizado de moeda. Os registros de transações podem ser acessados por um grupo definido em cadeia e, de modo compartilhado, sem intermédio de terceiros, essa rede validará as transações. O lastro está justamente na reserva de ativos que ficará depositada. 
O caráter verde da Libra é outro ponto a ser destacado. Enquanto transações na criptomoeda Bitcoin podem levar minutos e custar vários dólares, a Libra poderia ser movimentada em segundos e com taxas minúsculas. Uma transação em Bitcoin demanda mais de 1000 kWh de energia computacional, enquanto a geração da Libra não consumirá mais energia do que as transações em cartão de crédito.
Facebook
Um toque no smartphone e alguém do outro lado do mundo receberá dinheiro pelo Facebook Messenger ou WhatsApp. 
Já pensou? Mas como essa transação estará segura? 
São muitas as tecnologias de segurança disponíveis e já utilizadas em outros serviços digitais. O Uber, por exemplo, faz reconhecimento facial de seus motoristas por meio da câmera do celular. A gigante de telefonia Vodafone, que também está no consórcio, pode auxiliar no desenvolvimento de segurança para as transações. Os smartphones já estão sendo fabricados com desbloqueio por biometria; grandes bancos utilizam esse método para acesso às contas de usuários. 
Seja lá qual for, a solução deve ser leve e desenhada para rodar em todos os aparelhos celulares e em situações de redes congestionadas e emergentes. 
Por que a Libra pode dar errado?
Como vai funcionar a regulamentação da moeda em tantos países no planeta? 
Vocês devem lembrar como a aderência ao Uber pelo público não afetou e nem acalentou o coração dos legislativos em todas as nações. A empresa sofreu (e ainda sofre) duras penas e proibições em alguns mercados. Barcelona chegou a proibir o aplicativo, enquanto o Brasil o taxou. 
A Libra promete taxas muito baixas. Mas, e quando ela efetivamente desembarcar nas economias em todos os cantos do mundo? Será que os Governos darão sinal verde para sua adoção? Será que todas estas grandes empresas continuarão no consórcio se não houver regulamentação? 
A The Economist levanta uma hipótese interessante: se cada depositante ocidental transferir um décimo de suas economias bancárias para a Libra, seu fundo de reserva ultrapassaria os US$ 2 trilhões, quase o dobro do valor de mercado da Apple. 
Imagine então se todos usuários do Facebook adotassem a Libra para suas transações financeiras? Ela poderia se tornar uma das maiores instituições financeiras do planeta, esmagando a soberania econômica dos governos.
Para começar a circular em muitos países, a criptomoeda deve ser taxada e seu mote de baixas tarifas pode perder força. Em julho, os Estados Unidos já começaram a movimentação para barrar a Libra no país. De acordo com a Reuters, o Partido Democrata lidera o projeto de lei para proibir qualquer companhia de tecnologia atuar como instituição financeira, limitando seu faturamento anual a US$ 25 bilhões para operar qualquer tipo de criptomoeda. 
O presidente Donald Trump também não gostou da ideia do Facebook lançar uma moeda própria. Ele argumenta que grupos criminosos conseguem arquitetar esquemas de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas por meio das criptomoedas. O Facebook já recebeu um aviso para interromper o lançamento da Libra nos Estados Unidos.
A Índia também promete criminalizar a utilização das criptomoedas, enquanto a França acha que a Libra não trará problemas se seu uso for apenas para transações. A Inglaterra teme que a Libra substitua as moedas nacionais. 
Aqui no Brasil já é obrigatória a prestação de contas para a Receita Federal sobre operações de compra e venda envolvendo criptomoedas. As transações devem ser informadas à Receita quando o valor mensal ultrapassar R$ 30 mil. De acordo com a Receita Federal, o mercado de moedas digitais no Brasil já tem mais investidores do que a Bolsa de Valores de São Paulo. Sinal dos tempos.
Mas afinal, a Libra vai ou não existir?
Chris Hughes, cofundador do Facebook, reforça a ameaça que a Libra pode trazer aos bancos centrais mundiais, sobretudo de economias emergentes como o Brasil. Para ele, se o mecanismo de troca de suas moedas oficiais pela Libra acontecer, os governos poderão perder a capacidade de administração de suas políticas fiscais. Essas empresas associadas teriam a faca, o queijo e todo o resto nas mãos.
Mas acredito que, assim como outras tecnologias disruptivas que transformaram mercados tradicionais, a moeda, se lançada, poderá ter adesão dos usuários do Facebook e do WhatsApp, especialmente entre os nativos digitais, que não teriam a menor cerimônia em aceitar e pagar com uma moeda digital. 
É difícil dizer se terá circulação mundial, mas a regulamentação em países de economias mais abertas, acredito, será só uma questão de tempo. Não acredita? Bem, vamos esperar pra ver.

(*) Omarson Costa atua como Conselheiro de Administração, com formação em Análise de Sistemas e Marketing,
tem MBA e especialização em Direito em Telecomunicações. Em sua carreira, registra passagens
em empresas de telecom, meios de pagamento e Internet
 
Fonte: Blog do Omarson: omarson.com.br 

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Yves Mersch, do BCE, alerta que criptomoeda Libra é um 'canto da sereia do Facebook'

© Reuters.

Yves Mersch, principal autoridade legal do Banco Central Europeu, disse que a stablecoin Libra, do Facebook, é "sedutora, mas traiçoeira" durante um discurso na conferência legal do BCE em Frankfurt na segunda-feira (2).
A Bloomberg relatou os comentários de Mersch em um artigo publicado em 2 de setembro. De acordo com o relato, ele disse que as moedas privadas têm pouca ou nenhuma perspectiva de se estabelecerem como alternativas viáveis ​​aos leilões legais emitidos centralmente.

Mersch: Só os bancos centrais podem ser confiáveis

Ele acredita que apenas bancos centrais independentes podem conceder bancos institucionais suficientes para tornar uma moeda confiável e conquistar a confiança do público. Ele observou ainda:
"Espero sinceramente que o povo da Europa não fique tentado a deixar para trás a segurança e a solidez das soluções e canais de pagamento estabelecidos em favor das promessas sedutoras, mas traiçoeiras, do canto da sereia do Facebook".
Reguladores em todo o mundo levantaram preocupações sobre as possíveis implicações do Libra em lavagem de dinheiro e controle de capital. Depois de visitar os reguladores financeiros suíços no mês passado, legisladores dos EUA ainda estão preocupados com o projeto de criptomoeda proposto pelo Facebook, o Libra.
Enquanto isso, o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, sugeriu uma transformação do sistema financeiro global, substituindo o dólar dos Estados Unidos por uma moeda digital semelhante ao Libra do Facebook.

Esforços de lobby do Facebook

O Facebook está reagindo à pressão regulatória intensificando seus esforços de lobby. Mais precisamente, a gigante das redes sociais contratou recentemente uma empresa de lobby com sede em Washington para ajudá-la a lidar com a resposta negativa a sua planejada criptomoeda Libra.
No começo de agosto, o Facebook também contratou Susan Stoner Zook, ex-assistente do senador republicano dos Estados Unidos Mike Crapo, para se juntar à equipe de lobby de seu projeto de criptomoeda Libra.

domingo, 1 de setembro de 2019

Criptomoeda Do Telegram: Rival Da Libra, Compatível Com Ethereum, O Que Mais?

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De acordo com o New York Times, o Telegram está pronto para lançar seu Gram token em 31 de Outubro. No ano passado, o aplicativo de mensagens criptografadas chamou a atenção de todos depois que levantou mais de US $ 1,7 bilhão em uma ICO por sua moeda.
A comunidade de criptomoedas desde então está antecipando o lançamento da moeda. Ao contrário da Libra do Facebook, o Gram será uma moeda descentralizada.
O CEO e sócio-gerente da TON Labs, Alexander Filatov, anunciou que a rede Blockchain do Telegram seria compatível com a Blockchain Etherum. A rede de Blockchain da Telegram, a TON, lançará o código necessário para executar um nó da TON em 1º de Setembro.
Filatov também disse que eles criaram uma ferramenta que permite que aplicativos descentralizados construídos no Etherum sejam executados na rede Blockchain do Telegram. De acordo com o relatório do Times, se o Telegram não for lançado até 31 de Outubro, ele poderá perder os fundos levantados durante a ICO.
Há alguns meses, o Facebook anunciou o lançamento de sua criptomoeda Libra, e desde então reguladores de todo o mundo criticam a decisão da plataforma de mídia social. A Libra seria apoiada por uma moeda tradicional para manter seu preço estável e, por outro lado, Gram seria uma moeda descentralizada.
O Telegram também recebeu muitas críticas, mas conseguiu permanecer, ao contrário do Facebook. A instituição de pesquisa baseada em Washinton divulgou um relatório anteriormente dizendo que a moeda digital do Telegram tornaria muito desafiadorcombater o financiamento do terrorismo e a lavagem de dinheiro.
Por causa dos Gram seguidores da organização terrorista, eles poderiam doar fundos sem sair do aplicativo, tornando o financiamento do terror mais anônimo. O Telegram é conhecido por seu recurso de privacidade, e o CEO Pavel Durov permanece firme em não comprometer a privacidadedos usuários.
Especula-se que haverá mais de 600 milhões de token em circulação após o lançamento da mainnet. A moeda do Telegram pode competir com sucesso com a Libra do Facebook, que está atualmente em muita turbulência devido aos regulamentos. A Libra deve ser lançada no próximo ano, depois de cumprir todos os regulamentos.

sábado, 31 de agosto de 2019

Roger Ver quer ter voz ativa na Libra do Facebook

Roger Ver quer ter voz ativa na Libra do Facebook

A criptomoeda do Facebook, Libra, está planejada para chegar ao mundo em 2020. Com grandes empresas por trás da operação, espera-se que essa pode vir a ser uma grande criptomoeda. Com isso, Roger Ver afirmou que quer ter voz ativa na Libra do Facebook.
Roger, que é popularmente conhecido na comunidade de criptomoedas como Bitcoin Jesus, disse estar de olho na Libra. Tal movimento seria para ganhar voz dentro do projeto e ter poder de decisão no futuro desta moeda.

Roger Ver quer entrar na Libra do Facebook para ter voz ativa no projeto

Em uma recente entrevista para o canal Invest Diva (vídeo abaixo), Roger Ver compartilhou sua visão sobre Bitcoin. Além disso, falou sobre as recentes mudanças que  aconteceram no Bitcoin Cash (BCH). Dentre elas, foi a escalada de Stefan Rust como novo CEO do BCH. Com a mudança, Roger Ver passou a ser o presidente executivo da companhia por trás do Bitcoin Cash. De fato, essa criptomoeda é o principal hard fork do Bitcoin (BTC), sendo por vezes confundido com este último.
Durante o papo, Roger Ver foi questionado sobre o seu interesse na criptomoeda do Facebook. A entrevistadora perguntou se o Bitcoin.comhavia submetido uma proposta para se unir a Libra Association. Em resposta, Roger Ver confessou ter feito um movimento para se aproximar da instituição responsável pela Libra.
Em seguida, após a entrevistadora confessar que é uma crítica da Libra, perguntou a Ver qual sua opinião sobre este projeto. O presidente do Bitcoin Cash disse também ser um crítico do projeto, visto que o Facebook certamente não é uma empresa honesta.
Entretanto, Roger afirmou que essa criptomoeda tem uma gigante base de usuários pelo mundo. Isso poderia facilmente torna-lá a maior criptomoeda do mundo todo, da noite para o dia. Com isso, ao se aproximar do projeto, Roger Ver disse acreditar que é melhor fazer parte e ter voz dentro do projeto.

Libra poderá ser o Banco Central do mundo?

Em certo ponto da entrevista, Diva afirmou que os usuários do Facebook já são conhecidos pela empresa, em clara alusão aos problemas de privacidade que esta é mundialmente reconhecida. O poder monetário ainda era um ponto de falha da empresa, entretanto, isso irá mudar com a criação da Libra.
Com isso, a apresentadora perguntou se Ver acreditava que a Libra poderia se tornar um Banco Central do mundo. Em resposta, Roger afirmou que existe a possibilidade, mas que ele está mais preocupado com os que já existem. Em sua visão, com a popularização das criptomoedas os usuários poderiam escolher qual moeda utilizar. Isso seria resultado de um mercado livre, em que as pessoas poderiam escolher, entre os vários concorrentes, se preferem o Bitcoin ou Libra, por exemplo.
Finalmente, apesar da aproximação do Bitcoin Cash com a Libra, ainda é cedo para dizer se haverá integração entre essas moedas.


Fonte: https://livecoins.com.br

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Criptomoedas estáveis unem o melhor dos mundos digital e real


O conceito de criptomoeda foi uma das maiores revoluções que surgiu no mercado financeiro dos últimos tempos. Muito se especulava em torno do futuro das moedas tradicionais, visto que o próprio papel-moeda se torna cada vez menos relevante em uma sociedade que realiza transações majoritariamente online. O mercado chegou a acreditar que o advento do criptoativo decretaria o fim dinheiro como nós o conhecíamos. Um tempo se passou e ainda aguardamos que o blockchain atinja o seu enorme potencial.

Recentemente, as criptomoedas encabeçaram as notícias com o anúncio de que o Facebook, uma das empresas mais disruptoras do mercado, lançaria a sua própria criptomoeda, a Libra, em breve. O anúncio, contudo, mingou. Mark Zuckerberg foi sabatinado por órgãos reguladores do mercado para esclarecer os limites da sua moeda virtual, acendendo o sinal amarelo para a companhia. Mais recentemente, o Facebook parece ter voltado atrás, anunciando, em seus resultados do segundo trimestre de 2019, que a Libra poderia nem sair do papel – o objetivo era que a moeda entrasse em vigor já em 2020.

À parte de todos os problemas que uma tecnologia altamente inovadora pode representar para um mercado um tanto conservador, o maior entrave que as criptomoedas parecem enfrentar para sua plena aceitação é a forte flutuação de preços, que impede que elas exerçam plenamente as funções de meio de troca e de medida de valor.

Uma solução contra a volatilidade das criptomoedas é a criação das chamadas Stablecoins, cuja tradução mais comum e literal é “moeda estável”. A conotação com a moeda física é importante, pois o propósito das Stablecoins consiste justamente em dotar as criptomoedas da estabilidade característica das chamadas “moedas fortes”, ou divisas, como o dólar, o euro, o iene.

Esse propósito de “estabilizar” o valor das criptomoedas significa, em geral, constituir garantias em ativos, bens ou moedas reais, de modo a relacionar, ou indexar, o valor da Stablecoin ao valor dessas garantias. Exemplo disso é o GMC da Gomoney, criptomoeda atrelada à cotação do dólar e que visa facilitar negócios entre as pessoas ao redor do mundo.

Cada Stablecoin tem em comum a aceitação dos tokens a um ativo do mundo real, de modo que seja possível equiparar o dinheiro virtual ao dinheiro físico, combinando as vantagens de ambos: a segurança, a descentralização e a agilidade do digital, com a maior estabilidade do dinheiro em espécie.

Cotações mais estáveis contribuirão para a transição de produtos financeiros convencionais, como empréstimos, investimentos, entre outros, para a tecnologia blockchain. Para quem usa as criptomoedas como poupança, as Stablecoins são a melhor opção. Normalmente, atreladas a uma moeda forte, se beneficiam em sinais de crise.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Facebook contrata empresa de lobby para atuar em favor da Libra

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O Facebook registrou a contratação de uma empresa de lobby para trabalhar em favor da Libra, sua própria criptomoeda, junto a políticos e reguladores nos Estados Unidos. De acordo com os papéis apresentados ao senado norte-americano nesta semana, a rede social será representada pela FS Vector LLC, numa companhia, justamente, voltada para os setores de políticas públicas e regulamentação.
Mais do que isso, a companhia conta com executivos de experiência no mercado de criptomoedas e, já há alguns anos, vem trabalhando de forma quase que exclusiva em questões relacionadas à regulação do dinheiro virtual e no uso oficial de blockchains. Seu lobista principal, por exemplo, é John Collins, que antes de se unir à FS Vector era nada menos do que diretor de políticas da Coinbase, uma das principais operadoras globais do setor.
É esse tipo de expertise que o Facebook precisa no lançamento conturbado da Libra, que deveria ser uma revolução em termos de pagamentos digitais e uma bela fonte de renda para a companhia, mas que vem cada vez mais esbarrando em desafios regulatórios. Os políticos e órgãos de regulação americanos não estão satisfeitos com o andamento dos trabalhos e nem com a atitude da companhia diante dos obstáculos oficiais, com uma queda de braço que ainda parece longe de terminar — mas que a rede social espera ganhar com a ajuda do lobby.
Vale a pena citar que, ao contrário do que se pensa sobre o assunto no Brasil, essa é uma atividade legal e regulamentada nos EUA. A contratação de empresas que atuem ou exerçam pressão sobre o poder público para aprovação de medidas ou regulações está prevista na Constituição, desde que esse trabalho seja feito de forma ética e siga certas regras. No caso da FS Vector e do Facebook, por exemplo, há a obrigação de registrar os resultados dos trabalhos e seu andamento a cada trimestre.
Entre as informações que precisam ser registradas estão a entrada de novos membros para a equipe de lobistas, as questões que estão sendo discutidas com legisladores e também um eventual fim do relacionamento entre as companhias. Com o registro feito no último dia 23 de agosto, a FS Vector e o Facebook agora precisam informar oficialmente o andamento desses trabalhos iniciais até meados de novembro.
A contratação da firma de lobby também vem como um possível ponto positivo em uma história recente de dificuldades. O diretor da Calibra, David Marcus, passou por uma sabatina no Senado americano em julho e, ao falarem sobre a criptomoeda do Facebook, os políticos deixaram bem claro que não confiam na empresa, principalmente agora que ela quer que os usuários entreguem dinheiro a ela em troca de tokens virtuais que estão sob seu controle.
A conversa também não teria agradado aos investidores, já que, de acordo com informações extraoficiais, muitos dos convidados e early adopters da Libra estariam retirando seus aportes financeiros ou mantendo uma postura de distanciamento da empresa. A indicação geral é que os planos ambiciosos do Facebook, que pretende adotar a criptomoeda como método padrão em todos os seus serviços e também fora dele, podem não ter tanto sucesso quanto a própria esperava.
Além do registro oficial, entretanto, não existem informações sobre o andamento dos trabalhos. O Facebook, por diversas vezes, se mostrou solícito e declarou estar disposto a trabalhar com as autoridades para chegar a um acordo sobre a Libra, e isso vale não apenas para os EUA como também para o restante do mundo, incluindo países emergentes, onde a batalha pode ser ainda mais difícil e a contratação de empresas de lobby não é um dispositivo legal.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Recompensas para quem encontrar falhas na criptomoeda do Facebook vão de US$ 500 a US$ 10.000

A Libra Association havia prometido lançar um programa de recompensas para identificar bugs no ecossistema do Libra e assim o fez: nesta terça-feira (27), o Libra Bug Bounty abriu as portas para todos os desenvolvedores interessados. Aqueles que encontrarem falhas serão remunerados com até US$ 10.000 (por bug).

Não, a criptomoeda ainda não foi lançada (isso só deve acontecer em 2020). No entanto, a Libra Association já trabalha com implementações iniciais do Libra Blockchain e do Libra Core — ambos disponíveis via licença Apache 2.0 — para fins de testes e aperfeiçoamentos.
Libra, a criptomoeda do Facebook
Na verdade, o projeto contava com um programa de recompensas por bugs desde o seu anúncio oficial, em junho. No entanto, o programa era limitado a um grupo de 50 especialistas em segurança com experiência em blockchain.
Essa versão preliminar do programa serviu de base para o Libra Bug Bounty se tornar uma iniciativa aberta a qualquer interessado. A expectativa da Libra Association é a de que o programa atraia desenvolvedores e especialistas em segurança de todas as partes do mundo.
Há quatro faixas de recompensas para as falhas identificadas: US$ 500 (severidade baixa), US$ 1.500 (média), US$ 5.000 (alta) e US$ 10.000 (crítica).
No nível de severidade crítica estão falhas que permitem que a validação de assinatura digital seja burlada ou que alteram a execução de um contrato inteligente no nível de máquina virtual.
O Libra Bug Bounty foi hospedado na HackerOne, plataforma especializada em identificação de vulnerabilidades. O link para cadastro e informações adicionais é hackerone.com/libra.

Tecnocast 121 – Libra, a criptomoeda do Facebook


O objetivo da Libra Association é lançar uma moeda digital baseada em blockchain, mas sem a volatilidade do bitcoin. Se o projeto vingar e a moeda for adotada em massa, a Libra Association se tornaria uma espécie de banco central mundial, controlado por diversas empresas privadas e ONGs.
A ideia é um pouco assustadora, mas a gente explica tudo nesse episódio do Tecnocast. Dá o play e vem com a gente!