terça-feira, 23 de julho de 2019

Fraudes envolvendo criptomoeda Libra se espalham no Facebook

O Libra ainda nem foi lançado, mas fraudes envolvendo a prometida criptomoeda do Facebook já são realidade: o Washington Post relata ter identificado pelo menos 12 perfis ou páginas no Facebook e Instagram se passando por canais oficiais para venda da moeda digital. Tudo indica que há mais.

Esses perfis usam materiais oficiais de divulgação do Libra e até imagens de Mark Zuckerberg para convencer os mais desavisados a comprar a criptomoeda com descontos atraentes. Mas é tudo falso: o Facebook pretende lançar a moeda digital somente em 2020.
Libra, a criptomoeda do Facebook
Para convencer as vítimas, os golpistas usam diversos argumentos. Só para dar um exemplo, o Washington Post encontrou um vídeo que, enquanto mostra Mark Zuckerberg, explica que o Facebook já distribuiu 20 milhões de Libras para os primeiros investidores. Novamente, tudo falso.

O Facebook vem removendo as páginas e perfis fraudulentos. Mas não dá para dizer que o problema foi resolvido: a companhia só tomou providências depois que o Washington Post denunciou as fraudes. Essa situação sugere que o Facebook não está conseguindo controlar tentativas de golpes envolvendo a futura criptomoeda.
Por ora, esse problema não é tão grave. Mas, a não ser que o Facebook crie filtros eficazes para combater fraudes, contas e páginas falsas poderão se tornar numerosas a ponto de dificultar a aceitação do Libra por órgãos reguladores e autoridades monetárias, mais do que o previsto.
Isso porque, sem controle antifraude eficaz, os compradores do Libra legítimo estarão sujeitos a esquemas enganosos (como os de pirâmides) similares aos que envolvem o Bitcoin e outras criptomoedas.
Pelo menos o Facebook tem o fator tempo a seu favor: um dos motivos que levaram a Associação Libra a prometer o lançamento da moeda digital apenas em 2020 é justamente o ganho de um prazo para identificar deficiências e desafios que possam inviabilizar a ideia.

Tecnocast 121 – Libra, a criptomoeda do Facebook


Se o Facebook fosse um banco, você confiaria o seu dinheiro a ele? E se houvesse uma moeda digital mundial, controlada por uma associação de mais de 100 empresas e ONGs, você usaria? No Tecnocast de hoje falamos sobre o Libra, a criptomoeda do Facebook.
O objetivo da Libra Association é lançar uma moeda digital baseada em blockchain, mas sem a volatilidade do bitcoin. Se o projeto vingar e a moeda for adotada em massa, a Libra Association se tornaria uma espécie de banco central mundial, controlado por diversas empresas privadas e ONGs.

Fonte: tecnoblog.net

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Mais uma polêmica envolvendo a Libra, Criptomoeda do Facebook



Em meio a resistência que vem enfrentando do governo americano, a Libra se envolveu em mais uma polêmica. Mas agora com grupos de defesa do consumidor. Esses grupos solicitam que Mastercard, PayPal, Uber e Visa abandonem a Associação Libra.
Organizações como o Open Institute Markets, Public Citizen, Demand Progress Education Fund y Revolving Door Project, alegando que a nova criptomoeda impulsionada pelo Facebook até o momento não forneceu detalhes sobre os aspectos operacionais e financeiros que apoiarão sua operação, pediram a rescisão do projeto até que certos pontos de vista regulatórios e operacionais estejam mais claros. E pediram também aos 27 membros ligados à Associação Libra que se retirem do projeto.
Há certas preocupações com as implicações políticas, financeiras e sociais que o projeto Libra pode trazer. E como resultado disso, as organizações de defesa do consumidor enviaram diretamente para a MasterCard, PayPayl, Uber e Visa a seguinte  carta aberta:
“O objetivo do projeto é atingir 1.700 milhões de pessoas que não acessam produtos e serviços do ecossistema bancário. Embora seja um objetivo louvável, não deve ignorar aspectos que não são muito claros e cuja estrutura de liderança é baseada no medo…. Entendemos que o Facebook é uma empresa poderosa e que, em parte, gerou algum receio devido à sua prevalência nos mercados. Mas se a empresa se retirar coletivamente do projeto, isso garantiria regras muito mais justas e democráticas dentro do ecossistema do dinheiro digital, e não basearia sua proposta em gerar incerteza entre as empresas com maior experiência “.
Como temos acompanhado esse não tem sido um bom começo para o projeto Libra. Desde o anúncio do seu lançamento em junho, que o ele vem sendo bombardeado. E a reação contrária ao projeto não veio somente de reguladores americanos, mas em todo o mundo. E por isso mesmo vimos o G7 recentemente exigir um regime rigoroso para a Libra com um imposto mínimo.
Agora nos resta acompanhar o desenvolvimento da aventura do Facebook no mercado de criptomoedas.
Fonte: guiadobitcoin.com.br

domingo, 21 de julho de 2019

Venda no Mercado Livre: Empresa irá Operar com a Libra, Criptomoeda do Facebook

Venda no Mercado Livre

Em março deste ano, um comunicado anunciou a suspensão das criptomoedas à venda no Mercado Livre, assim como de quaisquer produtos relacionados às moedas digitais na plataforma.
A novidade veio acompanhada de outras mudanças anunciadas pela empresa, como a proibição de cartões pré-pagos de jogos digitais.
Porém, três meses depois, o Mercado Livre apareceu na lista de empresas que fazem parte da Associação Libra, organização que será a responsável por regulamentar a Libra, a nova moeda digital anunciada pelo Facebook.
Venda no Mercado Livre
Venda no Mercado Livre de criptomoedas, pode ser uma realidade diante parceria com a Libra, criptomoeda do facebook.

Alterações nas vendas do Mercado Livre de moedas digitais

As mudanças comunicadas pelo Mercado Livre em relação às vendas de criptomoedas e produtos relacionados em sua plataforma entraram em vigor no dia 19 de março de 2019.
No email enviado aos vendedores, o Mercado Livre informou que as vendas de ativos como o Bitcoin deveriam finalizar o mais rápido possível ou teriam os produtos cancelados automaticamente na plataforma.
Na época, as especulações diziam que o banimento das criptomoedas no Mercado Livre estava ligado ao recente recebimento de um investimento de 750 milhões de dólares do PayPal.
Quando o comunicado oficial foi lançado, a plataforma do Mercado Livre mostrava aproximadamente 9.200 produtos ligados à palavra “criptomoeda”.  Com isso, muitos usuários da plataforma ficaram sem ter como comprar e vender Bitcoin, praticamente de uma hora para a outra.
Mercado Livre e a moeda digital do Facebook
Depois de aparecer na lista de empresas que também apostam na Libra, o Mercado Livre vai adotar a moeda digital como forma de pagamento.
De acordo com executivos do Mercado Livre, a empresa está trabalhando no projeto da criptomoeda Libra, e a nova criptomoeda será integrada à plataforma da empresa, podendo ser usada como forma de pagamento.
Ainda assim, as afirmações garantem que o Mercado Livre não pretende operar como um servidor da moeda digital.
Outras grandes empresas também estão no projeto, como Visa, Mastercard e o PayPal.
Atualmente, o Mercado Livre opera em 19 países, sendo a maior plataforma de e-commerce 
da América do Sul. A ligação com o atual mega projeto da moeda virtual do Facebook deve ajudar a plataforma a aumentar o seu alcance global, mesmo “sem dar espaço” para o Bitcoin, que é a atual maior criptomoeda do mundo.
A Libra será lançada oficialmente no mercado financeiro no ano que vem, e será administrada pelas regulamentações da Suíça, país onde a Associação Libra está sediada.
Fonte: diarioprime.com.br

sábado, 20 de julho de 2019

Todos de olho em Zuckerberg

Crédito: Jim Watson / AFP

Na quarta-feira 17, o executivo David Marcus passou várias horas repetindo o que já diz há tempos. O CEO da Calibra, subsidiária do Facebook dedicada à criação da Libra, moeda virtual proposta pela empresa de Mark Zuckerberg, tentava, mais uma vez, convencer os deputados americanos que a companhia não quer destruir o sistema financeiro internacional. Sem muito sucesso. Marcus depôs no Comitê de Finanças da Câmara dos Deputados. Vários parlamentares, especialmente os oposicionistas do Partido Democrata, o pressionaram para que ele se comprometesse a interromper o processo de desenvolvimento da moeda. Ou, ao menos, permitisse que esse desenvolvimento fosse fiscalizado mais de perto pelas autoridades monetárias dos Estados Unidos.
Marcus ateve-se ao discurso de que a Libra não será lançada antes que as preocupações e dúvidas dos reguladores estejam sanadas. Mas, para irritação dos deputados, ele não se comprometeu a interromper os trabalhos. “O senhor vai parar de dar voltas ao redor dessa questão e suspender o desenvolvimento da moeda até o Congresso regulamentar o assunto?”, perguntou a deputada californiana Maxine Waters, presidente do Comitê. “Concordo que esse assunto precisa ser mais analisado e prometo que teremos tempo para fazer tudo corretamente”, disse Marcus. Mas parar o processo foi algo que o executivo não curtiu. Esperam-se repetições desse diálogo, com pequenas variações, ao longo dos próximos meses.
Os deputados americanos não têm sido os únicos a torcer o nariz para a Libra. Na mesma quarta-feira, em um encontro de ministros das Finanças do G7, Olaf Scholz, ministro da Alemanha, juntou-se ao coro dos descontentes. “A Libra está na cabeça de todos nós”, disse ele. “A emissão de moedas é um assunto para estados soberanos, e que não deve ficar nas mãos de empresas privadas.” Apesar de as autoridades alemãs serem as mais abertas à inovação das moedas virtuais na Comunidade Europeia, as declarações de Scholz vão ao encontro das preocupações de seus colegas. Mesmo Mark Carney, presidente do Banco da Inglaterra (o Banco Central inglês), tem sido cauteloso. Inicialmente, ele elogiou os benefícios em potencial da Libra, como baratear as transações e facilitar as remessas de dinheiro. Porém suas declarações mais recentes têm enfatizado os riscos. “Não podemos deixar as pessoas perderem o dinheiro que está em suas carteiras”, disse ele.
É fácil entender a preocupação. Se fosse um Estado nacional, seus 1,4 bilhão de usuários tornariam o Facebook não só o mais populoso, mas provavelmente o mais rico deles. E o fato de a rede social criada por Mark Zuckerberg estar pensando em desenvolver seu próprio dinheiro é algo que tira o sono de ministros das finanças e de banqueiros centrais ao redor do mundo (observe o quadro) pela possibilidade de retirar dos Estados o poder de fazer política monetária e, no limite, regular o nível de atividade econômica, que é a atribuição mais importante dos bancos centrais.
Essa preocupação só surgiu devido ao tamanho potencial da Libra. As moedas virtuais fazem parte da paisagem dos mercados desde 2008, quando surgiu o bitcoin. Apesar de o Japão estar promovendo sua circulação oficialmente, e mesmo que moradores de países com inflação elevada, como a Venezuela, estarem recorrendo às criptomoedas, essas iniciativas sempre foram restritas e superficiais. A Libra é algo totalmente diferente.
David Marcus, CEO da Calibra, subsidiária do Facebook dedicada à criação da moeda virtual, tem sido pressionado pelos deputados americanos para interromper o processo (Crédito:Stefani Reynolds)
CESTA DE MOEDAS Em primeiro lugar, é uma moeda estável, definida pelo termo técnico stablecoin. Ou seja, em vez de ser produzida como o bitcoin e vendida pelo preço do mercado no momento, a cotação da Libra estará vinculada a uma cesta das principais moedas: dólares americanos, libras esterlinas, euros e ienes. “Suas cotações vão oscilar pouco, ao contrário do que ocorre com o Bitcoin e as outras moedas virtuais mais conhecidas”, diz o economista Thiago Cesar, CEO da gestora suíça de fundos de critpomoedas Transfero Swiss, que lançou sua própria stablecoin, ligada ao real brasileiro.
Segundo Cesar, as primeiras stablecoins surgiram como uma ferramenta para os especuladores em bitcoins. Como as cotações são muito voláteis, fazia sentido criar uma moeda que não oscilasse. “A ideia era, literalmente, ter um lugar para estacionar o dinheiro enquanto não se estivesse operando”, diz Cesar. Não tardou para que os profissionais do mercado percebessem que essas moedas estáveis seriam muito úteis para transferir dinheiro de uma pessoa para outra, especialmente quando emissor e receptor estão separados por milhares de quilômetros de distância, pelas barreiras de uma economia fechada ou pelas leis.
Poderiam, por exemplo, facilitar a vida de um desenvolvedor de software na Indonésia que trabalhasse para uma empresa na Holanda. Receber seus pagamentos seria muito mais rápido, fácil e barato. Porém, assim como poderiam ajudar países menos desenvolvidos, também facilitariam a vida de nações menos comprometidas com a segurança global. O interessado em comprar material nuclear da Coreia do Norte resolveria o assunto com alguns cliques e, teoricamente, sem enfrentar nenhuma sanção das autoridades americanas. E mesmo que as intenções sejam legais e legítimas, a existência de uma moeda privada, não regulada e não controlada seria o pesadelo de qualquer sistema de arrecadação de impostos.
As autoridades e o sistema bancário já se movimentam. Daniel Coquieri, um dos diretores da bolsa e corretora de criptomoedas Bitcoin Trade, diz que boa parte de seu trabalho é parecido com o de um executivo de segurança de um banco. “Temos 70 mil clientes ativos e 250 mil cadastrados, e passamos muito tempo verificando a origem do dinheiro e conferindo a identidade de quem está fazendo negócios”, diz ele. O cuidado permite à Bitcoin Trade trabalhar com os grandes bancos brasileiros, que não são os mais receptivos às plataformas de negociação.
Cesar, da Transfero, entende o motivo. Atualmente, moedas virtuais e tradicionais não apenas coexistem como também têm vários pontos de contato. Por exemplo, quem quiser comprar bitcoins ou, no futuro, Libras do Facebook terá de pagar essas aquisições com reais, dólares ou euros, e realizar essas transações por meio de contas-correntes ou cartões de crédito. “As autoridades vão fiscalizar de maneira pesada as conexões entre as moedas virtuais e o sistema monetário tradicional”, diz Cesar. A pressão sobre Zuckerberg não deve acabar tão cedo.
Fonte: www.istoedinheiro.com.br

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Entenda por que governos do mundo todo estão incomodados com a Libra

Libra Facebook

A criptomoeda do Facebook ainda nem entrou em operação, mas seu anúncio já causa rebuliço pelo planeta

Após todas as polêmicas e escândalos relacionados a privacidade dos últimos anos, o Facebook é hoje uma das empresas mais enroladas com governos no mundo. Em vez de se manter afastada de novos transtornos, a companhia decidiu se envolver em mais um plano que já está trazendo novas dores de cabeça: a criptomoeda Libra.
Revelada em junho, a moeda só deve começar a circular a partir de 2020, com a promessa de facilitar transferências monetárias entre pessoas, mesmo que estejam em países diferentes. Desta forma, o Facebook e seus parceiros seriam capazes de cobrar tarifas muito inferiores às que o mercado já cobra.
No entanto, antes de entender o motivo de o projeto ser tão polêmico, é necessário entender o que é o projeto e como ele funciona.

O que é a Libra?
No mês passado, o Facebook anunciou a Calibra, uma subsidiária que terá como meta desenvolver uma carteira digital para a Libra, a criptomoeda, e que será incorporada a aplicativos como o WhatsApp para viabilizar transferências e pagamentos. Também foi criada a Libra Association, grupo que reúne várias outras empresas de grande porte além do Facebook, que terá a missão de apoiar a difusão da moeda. Entre elas estão Uber, Mastercard, Visa, eBay, PayPal, Spotify e MercadoPago, para mencionar apenas os nomes mais conhecidos aqui no Brasil.
Os membros da fundação terão como uma de suas responsabilidades participarem do blockchain que sustentará a Libra, operando um dos nós necessários para sustentar a rede. Isso significa que eles deverão dedicar poder computacional para validar as transações que envolverem a criptomoeda, para garantir que nenhuma anomalia aconteça, como, por exemplo, um usuário transferir R$ 10 para outro sem que a quantia seja debitada de sua carteira.
A ideia do Facebook com esse projeto é alcançar especialmente as pessoas que já têm smartphones, mas não tem acesso a serviços bancários, efetivamente servindo como uma alternativa ao dinheiro para pagamento por bens e serviços e transferências entre usuários.

No que ela é diferente da Bitcoin?
Se você não se escondeu numa caverna nos últimos três anos, pode ter visto a montanha russa da Bitcoin e outras moedas similares. O sobe e desce de valor desenfreado fez com que as criptomoedas se tornassem um investimento de alto risco, dificultando o seu uso para troca por bens e serviços, que deveria ser a função primária de uma moeda. Afinal de contas, um vendedor não quer vender um produto por, digamos, R$ 10 e descobrir que esse dinheiro está valendo R$ 7 no dia seguinte. Da mesma forma, alguém pode pensar duas vezes antes de fazer uma compra se imaginar que seus R$ 10 podem estar valendo R$ 13 no dia seguinte.
Essa volatilidade é um obstáculo para adoção da criptomoeda como moeda, o que fez com que o Facebook e seus parceiros desenvolvessem uma “stablecoin”, o que, como o nome indica, tem valor estável, o que a torna mais interessante como meio de pagamento e menos como um investimento.
Para isso, foi necessário ir contra um dos pilares da Bitcoin e similares que não têm qualquer lastro, o que faz com que seu valor seja definido unicamente pelo quanto seus usuários acreditam que ela vale. A Libra tem, sim, seu valor vinculado a alguma coisa no mundo real: outras moedas, como dólar, o euro, o franco suíço, o iene e a libra esterlina.
Neste sentido, a Libra Reserve é fundamental para conseguir manter esse projeto de moeda estável funcionando. Quando alguém troca o seu dinheiro pela Libra, a quantia vai direto para esse fundo, que serve como lastro para as moedas em circulação. A associação prevê o ajuste da composição dos bens ligados a este fundo de forma dinâmica para balancear o valor da criptomoeda e evitar grandes variações de preço.
Uma outra diferença importante para a Bitcoin é o fato de que a Libra não é totalmente descentralizada. Enquanto a Bitcoin permite que qualquer um opere seus próprios nós e participe do blockchain da moeda, apenas os membros da Libra Association vão operar os nós da criptomoeda do Facebook, o que significa que a verificação e validação das transações estarão nas mãos de um grupo consideravelmente menor de organizações. Os críticos apontam que essa centralização pode facilitar a censura e ataques cibernéticos contra a rede.

E por que há tantos governos atacando a Libra?
Governos pelo mundo nunca foram exatamente fãs das criptomoedas, e em múltiplas vezes já tomaram ações para regulamentá-las ou proibi-las completamente em seus territórios. Quando o Facebook está envolvido, a reação tende a ser mais forte, por vários motivos.
Não há como negar que o Facebook é gigantesco, com mais de 2 bilhões de usuários diários espalhados pelo mundo. Na prática, se a Libra cair no gosto dos usuários, ela poderia de fato se tornar um sistema financeiro internacional à parte, com um alcance muito maior do que qualquer outra moeda, o que fez com que até mesmo Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, se manifestasse contra a proposta, temendo o enfraquecimento do dólar, que ainda é a principal referência para transações internacionais.
No Reino Unido, a Autoridade de Conduta Financeira também fez seus comentários sobre o assunto, afirmando que até o momento o Facebook não ofereceu detalhes suficientes sobre a Libra. Desta forma, a organização vai estudar com o ministério da Economia e o Banco da Inglaterra qual é a ação a se tomar em relação à criptomoeda. Já a Índia já havia banido criptomoedas no país, e o anúncio do projeto já deixou as autoridades locais incomodadas, mesmo com a escassez de detalhes.
Existe um temor claro também com privacidade, já que o histórico do Facebook depõe contra a companhia. Afinal de contas, se a Libra realmente ganha fôlego, a empresa poderia manter um histórico de transações do mundo inteiro. A companhia enga que tenha esse interesse, no entanto, afirmando que as negociações serão gerenciadas pela Calibra, e não pelo Facebook, e que os dados não seriam misturados com as informações da rede social. A questão é que hoje em dia é difícil confiar que a empresa de Mark Zuckerberg manterá sua palavra, mesmo que David Marcus, que comanda a Calibra, negue qualquer interesse em misturar as coisas.
Por fim, como sempre é o caso com as criptomoedas, há o temor de facilitação de negócios ilícitos, como tráfico de drogas, já que é mais difícil rastrear de onde vem e para onde vai o dinheiro. De fato, a Bitcoin e outras criptomoedas são amplamente utilizadas para pagamento de serviços e produtos ilegais na Deep Web, mas sua operação não está limitada a esses usos. A empresa, no entanto, diz estar desenvolvendo maneiras de impedir o uso da Libra para lavagem de dinheiro e pretende disponibilizar o histórico de transações para autoridades a fim de minimizar a utilização de sua moeda para fins ilegais.

Fonte: olhardigital.com.br

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Senadores dos EUA afirmam que não confiam no plano do Facebook de lançar uma criptomoeda


O vice-presidente do Facebook, David Marcus, responsável por coordenar o lançamento da libra, a criptomoeda da rede social, prestou depoimento nesta terça-feira (16) ao Senado dos Estados Unidos. Ele também será ouvido no Comitê Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados na quarta-feira (17).

Marcus respondeu a questões de senadores céticos e preocupados com as intenções da libra, que se propõe revolucionar os sistemas de pagamentos e transferência de dinheiro. Ela só será lançada em 2020.

Os legisladores mostraram preocupação também com o passado recente do Facebook, permeado por escândalos de privacidade e vazamentos de dados.

A libra é um projeto de moeda digital do Facebook apresentado em junho, que pretende ofertar soluções como pagamentos e transferências financeiras por meios digitais. Um dos exemplos seria enviar dinheiro para alguém fora do país pagando poucas taxas e fazendo isso por uma mensagem do WhatsApp, que também pertence à empresa de Mark Zuckerberg, junto do Instagram.

Marcus, que já foi um executivo da empresa de pagamentos digitais PayPal, foi escolhido por Zuckerberg para liderar os esforços da libra.

A ideia da moeda foi recebida com certa controvérsia entre economistas e órgãos públicos globais, como o G7, que criou um grupo de trabalho para averiguar a libra.

O presidente do Fed, o banco central dos EUA, Jerome Powell também afirmou que a libra levanta "preocupações sérias" e até o presidente Donald Trump criticou o projeto em uma rede social.

David Marcus, executivo do Facebook responsável pela libra, participou de audiência com senadores nos EUA. — Foto: Erin Scott/Reuters

Já na abertura da audiência, o executivo foi recebido com insatisfação dos parlamentares. O senador democrata Sherrod Brown afirmou que a rede social é "perigosa" e alertou que era preciso olhar para o histórico do Facebook.

"Seríamos loucos se dessemos uma chance a eles de fazer experimentos com as contas bancárias das pessoas, usando ferramentas que eles não entendem, como política monetária", disse Brown.

Os senadores voltaram, durante a audiência, a discutir temas que assombraram o Facebook no último ano como a disseminação de boatos, a interferência russa nas eleições de 2016 e o vazamento de dados, como o escândalo Cambridge Analytica.

A senadora Martha McSally afirmou que não confia no Facebook e criticou a empresa que "em vez de arrumar a própria casa" está tentando começar um novo modelo de negócios.

Em defesa da companhia, Marcus reconheceu os erros do passado do Facebook e afirmou que a rede social não irá seguir adiante com o projeto até que todas as preocupações regulatórias sejam esclarecidas.

"Por que logo o Facebook, dado os últimos anos, deveria fazer isso [lançar uma moeda digital]?", questionou o senador Chris Van Hollen. Marcus respondeu afirmando que a empresa "não deveria sentar e esperar enquanto tem recursos e talento técnico".

Fonte: g1.globo.com/economia

terça-feira, 16 de julho de 2019

A hora H da Libra: Congresso dos EUA discute moeda do Facebook

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Durou pouco a empolgação do Facebook com sua criptomoeda, a Libra. No último dia 3 de julho, duas semanas depois de a empreitada ser anunciada, o Congresso dos Estados Unidos pediu à empresa que paralisasse o desenvolvimento da criptomoeda até que os legisladores tivessem tempo de analisar o caso.
E a primeira fase desse processo começa nesta semana, com o tema sendo pauta de comissões no Senado (nesta terça-feira) e na Câmara (na quarta-feira).
As comissões vão ouvir o executivo David Marcus, presidente da Calibra, subsidiária independente do Facebook que cuidará da moeda.
Apesar da liderança informal do Facebook, a criptomoeda é uma iniciativa de 28 empresas e organizações que se juntaram em um consórcio sem fins lucrativos chamado Libra Association. A lista inclui as bandeiras de cartões Mastercard e Visa, as empresas de pagamento Paypal e MercadoPago, os apps de transporte Uber e Lyft e até o streaming de música Spotify.
Se tudo der certo, a previsão é que a Libra esteja disponível para transações no primeiro semestre do ano que vem. A associação promete que a moeda terá valor “relativamente estável” porque será baseada em ativos como títulos públicos seguros — diferente de outras criptomoedas, como o bitcoin, que podem flutuar na casa dos milhares de dólares em um mês.
Além disso, afirmam que a segurança é garantida por um sistema de blockchain, em que as transações podem ser checadas e verificadas por usuários e pelo governo.
Contudo, será especialmente difícil para o Facebook — condenado recentemente a pagar multa de 5 bilhões de dólares por casos de vazamento de dados de usuários — pedir a governos e cidadãos mundo afora que confiem na empresa.
E enquanto os governos temem que uma nova moeda sem regulação rigorosa bagunce os mercados mundiais, a comunidade de criptomoedas tem o pé atrás com o fato de que a libra tem dono e não é descentralizada como o bitcoin.
“Estou ansiosa para ter uma criptomoeda com a ética da Uber, a resistência à censura do Paypal e a centralização da Visa, tudo isso junto com o respeito pela confidencialidade demonstrada pelo Facebook”, brincou no Twitter Sarah Lewis, diretora da organização de pesquisa sobre privacidade Open Privacy.
Uma mostra do poderio das grandes empresas é que, desde o anúncio da Libra, as demais criptomoedas vêm seguindo suas perspectivas. O bitcoin, que havia subido 55% em nove dias depois do anúncio da libra, caiu 11% no fim de semana ante a expectativa das audiências desta semana.
Daqui para a frente, os amantes de criptomoedas terão na Libra um paradoxo: ao mesmo tempo que a desprezam, talvez dependam dela para provar que criptomoedas têm futuro no mundo real.
Fonte: exame.abril.com.br