domingo, 3 de novembro de 2019

Criptomoeda Libra do Facebook é vilã ou a redenção de Mark Zuckerberg?

Diretor do Facebook diz que se Libra falhar China pode religar o mundo com sua moeda digital

Na quarta-feira (23) Mark Zuckerberg falou sobre o Libra frente ao House Financial Services Committee, comitê do congresso norte-americano responsável, entre outras funções, por legislar sobre serviços financeiros. O seu discurso foi publicado de antemão e está disponível aqui.
Dentre os diversos argumentos pró-Libra — inclusão financeira, eficiência, segurança, entre outros — o que mais me chama a atenção é aquele que explica que a China está correndo para ter sua própria criptomoeda e, com isso, ampliando sua força geopolítica, sendo o Libra uma potencial resposta à altura.
Apesar de todas as críticas que possamos ter ao Facebook, eu acredito que Mark Zuckerberg não poderia ter sido mais brilhante em seu posicionamento.
Quem hoje conseguiria fazer frente à China, senão a maior rede social ocidental do mundo com 2,4 bilhões de usuários, que, em uma virada de chave, poderia prover às autoridades norte-americanas não apenas dados sobre hábitos e ações dos indivíduos, mas também dados, acessos e influência sobre suas ações financeiras, provendo-lhes assim mais poder?
Na China, o caminho parece mais direto, considerando a relação do Estado e do Governo com as empresas e com a população em geral, que é mais simbiótico e impositivo.
Por isso, a mensagem de Zuckerberg, de que o projeto chinês pode se concretizar em meses, não me surpreende.
No ocidente, contudo, o caminho tende a ser mais sinuoso. Como bem lembrado por Zuckerberg, a história recente do Facebook o afasta do papel de herói. Ela o coloca entre consumidores e a mídia em uma posição mais próxima a um vilão da privacidade e da segurança das pessoas.
O que talvez estivesse mais implícito e com o passar do tempo vai se tornando mais relevante, é como esta realidade de influência via dados (agora, somando-se dados financeiros) poderia ser relevante em temas geopolíticos em escala global.
Por isso, os debates e decisões em torno do Libra terão cada vez mais peso nos rumos da humanidade.
Será que o governo norte-americano vai insistir na cobrança por privacidade? Ou irá ceder a um interesse geopolítico que se sobreponha a isto? — quem sabe até visando potencialmente, em um médio/longo prazo, resguardar estas mesmas pessoas através de mais capacidade de influência sobre elas?
E os Bancos Centrais dos diversos Estados-Nação? Eles terão interesse e conseguirão operar de forma sincronizada visando esta perspectiva macro, ainda que isto represente o seu enfraquecimento? 
Será que a Libra pode mesmo ser a redenção de Zuckerberg?

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Após audiência desta semana, Libra, a criptomoeda do Facebook esta em maus lençois!

Facebook CEO Mark Zuckerberg Testifies Before The House Financial Services Committee

Mark Zuckerberg, co-fundador e CEO do Facebook, esteve perante o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara em Washington. E quando se trata de grandes empresas de tecnologia, sempre é um momento muito tenso e regado por inúmeras interrupções.
Segundo o site TheVerge, as audiência nunca são satisfatórias, e os membros não conseguem fazer a lição de casa. Geralmente, os membros interrompem as testemunhas antes mesmo que possam responder.
E assim, uma audiência improdutiva começa. E assim, para evitar gerar mais notícias sobre a questão a ser debatida, os executivos de tecnologia tentam não falar demais. E assim, quando é solicitado que algo escrito seja feito, eles sempre deixam para fazer isso depois alegando ignorância transferindo a responsabilidade para sua equipe.
A audiência tida como frustrante, foi sobre o lançamento da criptomoeda Libra, e quando Mark chegou, o congresso parecia fuzilar com os olhos o Facebook. Isso já era notável, segundo a imprensa presente no local, havia uma impaciência tomando conta do congresso antes mesmo do executivo chegar.
A situação esquentou logo no começo, quando a deputada republicana Ann Wagner tocou na ferida do Facebook em torno da exploração infantil online, onde a rede social não consegue interromper o crime mesmo tendo prometido.
Seguindo, o deputado William Lacy Clay, abordou Mark em torno das políticas de publicidade, que segundo o deputado, descriminam diversa comunidades nas mídias sociais. E para ser a cereja do bolo, o deputado Gregory Meeks entrou com um ato censura Zuckerberg dizendo que o Facebook é um acelerador de muitas lutas políticas consideradas destrutivas em todo o mundo.
O Facebook foi encontrado sistemicamente na cena do crime. Você acha que isso foi apenas uma coincidência?-Disse o deputado Gregory Meeks a Mark Zuckerberg!
Mas, diante de tanta pressão e pouco espaço para falar continuamente sem interrupção, o executivo se saiu bem em alguns momentos. Mas, com muito esforço diante de tanto bombardeio, o Facebook conseguiu chegar ao centro do tema, que foi a liberação da nova moeda.
O site The Information destacou o seguinte:
A audiência de aproximadamente seis horas levou o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara a questionar Mark (Facebook) sobre como a Libra será financiada, que tipos de regulamentos devem ser aplicados a Libra, como o Facebook planeja ganhar dinheiro com a Libra e como políticas como reembolso fraudulento as transações funcionarão. […]
O que Zuckerberg deixou claro é que o Facebook não lançará o Libra sem a devida aprovação regulatória nos EUA e que o Facebook se retirará da Libra Association se o grupo finalmente decidir avançar por conta própria sem a aprovação dos reguladores dos EUA. Mas o testemunho de Zuckerberg não falou nada sobre as leis específicas que o Facebook acredita que deveriam governar a Libra.
A audiência não foi muito produtiva segundo vários outros sites espalhados pelo mundo e que estavam cobrindo o testemunho de Mark que parecia mais uma sabatina. O Facebook não conseguiu demonstrar o quanto a Libra pode ser relevante para o mundo.
Agora, a criptomoeda do Facebook não deve ter momentos fáceis, isso porque o seu lançamento é regado por contratempos de alta relevância, inclusive a saída de alguns importantes apoiadores do projeto.
Analisando a posição política dos deputados, deu a entende que o Congresso esta preocupado em relação ao caos que a Libra poderia causar, segundo os jornais, há um risco dela causa um gigante estrago financeiro de nível global. Ainda segundo a mídia que cobriu o momento tenso, se os políticos pudessem votar pelo fim da Libra durante a audiência, eles teriam feito com toda certeza.
Agora, a Libra segue com muitas incerteza em torno da opinião do comitê, e o resultado disso ninguém sabe. A única certeza, é que vai ser muito difícil e completo a adoção pública e política a Libra. Agora, só resta esperar o resultado deste “confronto” político, social e financeiro.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

CEO do JPMorgan diz que libra, a criptomoeda do Facebook, “nunca vai acontecer”

Jamie Dimon, CEO do banco JPMorgan Chase (Foto: Scott Olson/Getty Images)

Facebook tem enfrentado diversos obstáculos para a criação de sua criptomoeda, a libra, anunciada em junho deste ano. Em meio à pressão e às críticas de órgãos reguladores, diversas companhias como Visa, Mastercard, PayPal e eBay deixaram a Associação Libra, criada a fim de gerenciar a moeda virtual da rede social.
Agora, o CEO de um dos maiores bancos do mundo aumentou as dúvidas sobre a criação da libra. Jamie Dimon, presidente do JPMorgan, afirmou que a criptomoeda “é uma boa ideia que nunca vai acontecer”.
Dimon também falou que a ideia de criar uma stablecoins (ou moeda estável) não é nova. “Já temos stablecoins, então a libra não seria a primeira a fazer isso”. Ao contrário da maioria das moedas virtuais como o bitcoin, que sofrem grandes flutuações de preço em curtos períodos de tempo, as stablecoins buscam manter um preço estável em relação a uma moeda convencional. No caso da libra, ela seria atrelada a uma cesta de moedas, incluindo euro, dólar  e iene.

domingo, 27 de outubro de 2019

Zuckerberg dirá ao Congresso que Facebook não é mensageiro ideal para criptomoeda libra



WASHINGTON (Reuters) - O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, planeja reconhecer no Congresso que o Facebook não é o "mensageiro ideal" para seu projeto da criptomoeda libra, devido às críticas contínuas à empresa.
Segundo texto do depoimento, Zuckerberg dirá que apoia o adiamento do lançamento de libra, atualmente programado para meados de 2020, até que preocupações regulatórias dos EUA sejam totalmente resolvidas. E ele acrescentará que a moeda digital visa a facilitar transferências de dinheiro, e não a competir com moedas soberanas ou impactar a política monetária.
Zuckerberg deve falar na quarta-feira perante o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, onde deve enfrentar críticas dos parlamentares, cautelosos com os esforços do Facebook de criar uma moeda digital e fazer outras incursões na área financeira.
No depoimento, Zuckerberg reconhece as críticas, mas insiste que o projeto da libra tem mérito e pode ajudar milhões de pessoas, facilitando a transferência de dinheiro. Ele também observará que outros países, como a China, já estão investindo em projetos similares.
"Acredito que isso é algo que precisa ser construído, mas entendo que não somos o mensageiro ideal no momento", diz o texto. "Tenho certeza que as pessoas gostariam que fosse alguém, não o Facebook, que apresentasse essa ideia".
Embora reconheça erros, Zuckerberg insiste que a tecnologia, e o Facebook em particular, ainda tem muito a oferecer, e se opõe às fortes críticas à empresa.
"Se o ceticismo saudável se tornar hostilidade total, colocaremos muito progresso em risco", diz o documento. "Entendo que as pessoas têm preocupações com a libra. Mas acho que seria ruim para o nosso país e o mundo se as empresas fossem desencorajadas a enfrentar desafios como esse".

sábado, 26 de outubro de 2019

Twitter diz que nunca vai utilizar a Libra, criptomoeda do Facebook

Imagem de: Twitter diz que nunca vai utilizar a Libra, criptomoeda do Facebook


Durante um evento em Nova York, o CEO do Twitter, Jack Dorsey, comentou sobre a criptomoeda Libra e disse que seu negócio jamais participará do projeto. Ao ser questionado sobre o assunto, o executivo mandou um "hell no" e criticou a iniciativa, que é encabeçada pelo Facebook.

Segundo conta o The Verge, que estava no evento, Dorsey disse que a criptomoeda não é a resposta para trazer uma democratização no sistema financeiro e serve para representar os interesses das grandes corporações que estão por trás do projeto. "Não é um padrão aberto e que foi criado na internet", disse o CEO do Twitter. "[A Libra] nasceu da intenção de uma companhia, e não é consistente com o que eu pessoalmente acredito ou quero para a nossa empresa".
(Fonte: The Verge/Reprodução)
Apesar das críticas para a Libra, Dorsey também revelou ser um entusiasta das moedas digitais e acredita que as tecnologias descentralizadas são positivas para o desenvolvimento da web. "A internet é um estado-nação emergente em quase todos os aspectos. E agora quase possui um ativo próprio em forma de criptomoedas e bitcoins."

Libra em decadência

Além de tomar uma negativa do Twitter, a Libra também tem gerado discórdia até mesmo entre seus membros fundadores. Desde seu anúncio, a criptomoeda protagonizou uma série de polêmicas relacionadas à regulação e até pode ser proibida em certos países por questões de segurnaça. Por causa disso, empresas que auxiliaram na concepção do ativo, como PayPal, Mastercard e Visa, já estão pulando fora do projeto.
Nesta semana, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, participou de uma conferência no congresso dos Estados Unidos para tentar acalmar os ânimos dos legisladores sobre a Libra, que tem lançamento previsto para 2020. Com tantas polêmicas em volta da moeda digital, porém, fica difícil dizer se a iniciativa realmente ganhará vida no ano que vem.

Fontes

domingo, 20 de outubro de 2019

Deputado dos EUA diz que Facebook deveria usar Bitcoin e não criar o Libra

© Reuters.

O deputado republicano dos Estados Unidos Warren Davidson declarou que, se Facebook adicionasse Bitcoin à sua carteira Calibra, esta seria uma "idéia muito melhor" do que criar uma nova moeda como o Libra.
Durante uma entrevista para o podcast Noded Bitcoin em 11 de outubro, o deputado disse que "parte da beleza" a anunciada stablecoin Libra do Facebook é que ela cristalizou todos os problemas que já existem hoje na rede social.

“Queremos transações filtradas ou liberdade?”

Davidson argumentou que as audiências do Congresso dedicadas ao Libra em julho aumentaram a pressão que o Facebook já vinha sofrendo, destacando que "muitas das perguntas sequer eram sobre o Libra".
Ele disse que a tentativa do gigante de mídia social de lançar uma criptomoeda própria serviu para intensificar o foco em muitas das operações existentes da plataforma, completando dizendo que:
"O Facebook já filtra o conteúdo - algumas pessoas dizem que com um viés oculto, outras dizem que é ótimo, estão protegendo meu espaço [...] Então, queremos nossas ideias filtradas ou liberdade de expressão? Queremos transações filtradas ou liberdade?”
O apresentador do podcast, Pierre Rochard, argumentou que as audiências no Congresso haviam sido, no entanto, um veículo ideal através através do qual os observadores - muitos deles vindos do setor financeiro tradicional - conseguiram entender melhor o Bitcoin e compreender os problemas inerentes a um processo centralizado e privado como o Libra.
Davidson concordou que essa tinha sido a impressão entre muitas pessoas com quem ele conversou, mas também disse que, para aqueles convencidos sobre a necessidade de autoridades centrais como administradores das finanças globais, as audiências apenas cimentaram seu antagonismo em relação a livros distribuídos e criptomoedas descentralizadas, e intensificaram suas desejo de reprimir o espaço de forma mais ampla.
O Libra - como meio de pagamento - poderia, sem dúvida, desestabilizar o status quo, disse Davidson, apontando para a fluidez com que gigantes da tecnologia como o Facebook e o Google começam a construir uma certa soberania, desafiando a autoridade dos governos.

Libra foca atenção em falhas do Facebook

Durante as audiências do congresso dedicadas ao Libra em julho deste ano, a deputada Maxine Waters - presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos - fez a conexão explícita entre as preocupações levantadas durante as polêmicas passadas do Facebook e a tentativa da plataforma de lançar uma stablecoin.
Waters já havia pedido ao Facebook para interromper o trabalho em Libra no meio de junho, logo após a inauguração do projeto.
Ela declarou que a gigante da tecnologia já apresentava um "padrão recorrente de não manter os dados do consumidor em sigilo" e "havia permitido que atores estatais russos maliciosos comprassem e direcionassem anúncios" para - supostamente - influenciar as eleições presidenciais dos EUA em 2016.
Legisladores dos EUA ainda também perguntaram ao Facebook como é de se esperar que confiem em uma empresa cuja coleta, armazenamento e uso indevido de dados de clientes causaram uma multa de US$ 5 bilhões.

sábado, 19 de outubro de 2019

Relatório do G7 aponta preocupações sobre a Libra, criptomoeda do Facebook



Nesta semana, uma força tarefa dos países do G7 impuseram mais um obstáculo à Libra, criptomoeda do Facebook, em um relatório. O documento afirma que stablecoins (moeda digital atrelada a uma moeda estatal) globais como a Libra poderiam destruir o sistema monetário e desequilibrar a estabilidade financeira.
O relatório, intitulado como “Investigando o Impacto de Stablecoins Globais“, é resultado do trabalho de um grupo do G7, presidido por Benoit Coeure, membro do Conselho de Administração do Banco Central Europeu.
“O G7 acredita que nenhum projeto global de stablecoin deve começar a funcionar até que os desafios e riscos legais, regulamentares e de supervisão sejam adequadamente abordados, por meio de projetos adequados e aderindo a uma regulamentação clara e proporcional aos riscos”, diz o documento.
O que diferencia as stablecoins de outras criptomoedas é o fato de elas serem atreladas a moedas tradicionais para compensar a volatilidade associada às moedas digitais — daí o termo stable (estável).
Até agora, as stablecoins têm tido suas limitações e permanecem desregulamentadas. O grupo de trabalho do G7 identificou que as stablecoins podem prejudicar as tentativas de combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, bem como apresentar riscos para a concorrência leal, segurança cibernética, privacidade do consumidor e tributação.
A Libra Association — corpo de regulamentação que iria supervisionar a criptomoeda global do Facebook — divulgou uma declaração em resposta à denúncia do G7. Nele, o grupo aborda as preocupações do G7 ponto por ponto, prometendo trabalhar com os reguladores para tratar das preocupações.
“Em reconhecimento à importância da estabilidade do sistema financeiro global e da soberania nacional sobre a política monetária, a Libra está sendo projetada para trabalhar com as instituições reguladoras existentes e aplicar as proteções que elas oferecem ao mundo digital — sem perturbá-las ou prejudicá-las”, diz a declaração.
Embora o relatório do G7 não seja o último prego no caixão de Libra, é um sinal de que os reguladores globais também não estão convencidos da iniciativa do Facebook. E isso já vem mostrando consequências.
Quando a Libra foi anunciada em junho, havia 27 empresas apoiadoras — incluindo instituições de pagamento bem conhecidas, como Visa e Mastercard. Mas, logo no início, a moeda foi recebida com a oposição do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos EUA e do Comitê Bancário do Senado.
Isso, por sua vez, levou a rumores de que os parceiros da Libra estavam reticentes no final de agosto. No início de outubro, o PayPal oficialmente cancelou a sua participação e alguns dias depois, eBay, Stripe, Visa e Mastercard também abandonaram o barco. Para piorar, a Calibra — subsidiária que administra a criptomoeda — está enfrentando um processo que alega que seu logotipo é um plágio da Current, um app de banco digital.
O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, deve testemunhar perante o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara no dia 23 de outubro. Ele provavelmente precisará abordar as muitas preocupações levantadas pelo G7, bem como o fato de que os principais financiadores que pretendiam dar credibilidade à Libra se distanciaram do projeto.
Levando em consideração as recentes tentativas de Zuckerberg como um humano comum, talvez esse possa ser o fim da Libra.