quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Antes de lançamento da libra, criptomoeda XRP ganha espaço no comércio tradicional

A libra do Facebook pode estar ocupando todas as manchetes no momento, mas já existe uma grande criptomoeda que ganhou espaço no comércio tradicional.
A XRP, a terceira maior criptomoeda por valor de mercado, busca ter sucesso onde o bitcoin e outras moedas digitais falharam em grande parte: fornecendo transações rápidas e de baixo custo.
Em um raro exemplo de uma criptomoeda encontrando um uso prático além da negociação especulativa, ela ganhou uma certa tração, com algumas grandes empresas financeiras usando a XRP para pagamentos internacionais.
No entanto, o preço da XRP, também chamada de Ripple, caiu um quarto até agora este ano, mesmo que o bitcoin tenha mais do que dobrado e outras moedas menores, como a ethereum, tenham conseguido pequenos ganhos.
O desempenho do preço da XRP vai contra as suposições de uma correlação positiva entre o uso no mundo real e o preço das criptomoedas. O fato de que o bitcoin, a maior moeda digital de longe, tenha conquistado uma fatia ainda maior do mercado este ano é um sinal de que investidores que procuram capitalizar com a volatilidade de preços continuam sendo o principal motor da indústria.

QUAL É A IDEIA?
A XRP, lançada há sete anos, é um dos exemplos mais bem sucedidos, até agora, de tentativas de construir criptomoedas capazes de entrar no comércio e no mercado financeiro.
Ela foi desenvolvida pela empresa de tecnologia Ripple, sediada na Califórnia, que oferece uma plataforma de pagamentos baseada em blockchain. A XRP pretende funcionar como uma espécie de ponte para os pagamentos internacionais das empresas que utilizam a Ripple e pode também ser utilizada para o comércio eletrônico e transferências 'peer-to-peer' (P2P, pessoa para pessoa).
A moeda foi projetada para ajudar essas empresas - desde provedores de pagamentos até empresas de entregas - a liquidar transações instantaneamente, pagar taxas mais baixas e liberar capital normalmente vinculado a pagamentos usando dinheiro tradicional.
A Ripple diz que os pagamentos usando a XRP são liquidados em quatro segundos, em comparação com mais de uma hora para o bitcoin e três a cinco dias para sistemas tradicionais.
"Na verdade, é muito menos exposição e risco", disse Monica Long, vice-presidente sênior de marketing e comunicações da Ripple.

O QUE DIFERE A XRP DO BITCOIN?
A XRP, como a libra, afasta-se do bitcoin, a criptomoeda original, que visava contornar o sistema financeiro, dispensando uma autoridade central.
Uma equipe de desenvolvedores da Ripple mantém o software de registro da XRP, administrando a tecnologia. Isso, potencialmente, significa que as empresas estão mais confortáveis lidando com a XRP do que com bitcoin, que é em grande parte não supervisionado e não regulamentado.
A forma como a XRP é produzida também é diferente.
Enquanto "mineradores" de bitcoins competem entre si usando computadores poderosos para ganhar novas moedas, toda a oferta de 100 bilhões de XRP foi criada no seu lançamento.
A Ripple agora detém grandes reservas de XRP em contas de depósito, vendendo os tokens a grandes investidores para aumentar a liquidez e ampliar a disseminação da tecnologia. Isso significa que a empresa centralizou o controle sobre o fornecimento da XRP.

E A LIBRA?
Embora existam algumas semelhanças entre a libra e a XRP, diferenças notáveis também existem.
Ambas as moedas visam resolver problemas no setor de pagamentos, desde taxas de intermediação elevadas até longos períodos de transferência. No entanto, o público-alvo da libra é diferente, com o Facebook dizendo que oferecerá às pessoas que não possuem contas bancárias acesso a transferências de dinheiro mais fáceis. A XRP, ao contrário, é direcionada a empresas financeiras tradicionais.
E enquanto o valor da XRP flutua, o da libra não: é uma "moeda estável" cujo apoio por ativos tradicionais, como depósitos bancários e títulos públicos de curto prazo, é projetado para diminuir a volatilidade.
No entanto, a libra, que enfrenta forte oposição de políticos e reguladores, pode afetar as perspectivas da XRP, até porque os 2,4 bilhões de usuários do Facebook dão à moeda uma base de usuários existente.

COMO O MERCADO REAGIU?
A queda de 25% este ano veio apesar de a XRP ter ganho alguma força no setor de pagamentos globais, que abrange desde pagamentos com cartão até transferências internacionais e, de acordo com a consultoria Accenture, vale cerca de 1,5 trilhão de dólares este ano.
Os players do mercado de criptomoedas dizem que as vendas da XRP pela Ripple aumentaram a pressão sobre os preços e atenuaram qualquer impulso vindo do progresso da XRP no setor de pagamentos.
"A Ripple precisa fornecer o token, para incentivar os gastos, o uso deles em seu sistema", disse Denis Vinokourov, chefe de pesquisa da BeQuant, uma bolsa de criptomoedas em Londres. "É um mal necessário. Isso fere o preço no curto prazo, mas no longo prazo o seu uso acabará por aumentar."

terça-feira, 8 de outubro de 2019

PayPal abandona o projeto da Libra, criptomoeda do Facebook

PayPal (Foto: Getty Images)

PayPal não faz mais parte do projeto da Libra, criptomoeda do Facebook. A empresa de pagamentos online anunciou oficialmente sua saída da Libra Association, organização sem fins lucrativos responsável pela governança do novo negócio criado por Mark Zuckerberg. De acordo com a Bloomberg, parceiros do projeto estão cortando laços em consequência da recepção negativa que a criptomoeda recebeu de órgão reguladores mundo afora.
Em países como os Estados Unidos, o Comitê de Serviços Financeiros anunciou que está debatendo a possibilidade de proibir empresas como Facebook de criar criptomoedas. Na Europa, a França quer bloquear a iniciativa. 

Em nota enviada à Bloomberg, o PayPal afirmou que tomou a decisão de renunciar a sua participação para seguir focada na missão de democratizar o acesso a serviços financeiros para populações carentes. A empresa de pagamentos, ao lado de empresas como Uber, Visa, MercadoLibre e mais 24 companhias, formou a associação em junho, quando o Facebook anunciou o projeto. À época, cada empresa investiu US$ 10 milhões na Libra.

Os primeiros sinais de que o PayPal poderia abandonar o projeto vieram na última quinta-feira (03/10), quando executivos da companhia não apareceram numa reunião da associação em Washington. Vale lembrar que o responsável pela Libra no Facebook é David Marcus, antigo presidente do PayPal.
Facebook lança criptomoeda chamada Libra (Foto: Getty Images)
A associação da Libra confirmou a saída do PayPal e afirmou que o grupo deve se reunir novamente, ainda este mês. “A jornada para construir uma rede como a nossa não é simples. Nós reconhecemos que mudanças são difíceis e que cada organização deve avaliar os riscos e a recompensa das mudanças prometidas pela Libra”, afirmou em nota oficial.

domingo, 6 de outubro de 2019

PayPal abandona projeto da Libra, criptomoeda do Facebook

Resultado de imagem para criptomoeda libra
Um dos principais nomes por trás do projeto da criptomoeda Libra, o PayPal se retirou nesta sexta-feira (4) da Libra Association, criada pelo Facebook.
“O PayPal tomou a decisão de renunciar a sua participação na Libra Association neste momento e continuar concentrando-se no avanço de nossas missões e prioridades de negócios existentes, enquanto nos esforçamos para democratizar o acesso a serviços financeiros para populações carentes”, disse a empresa em comunicado.
A empresa de pagamentos disse que ainda “apoia as aspirações de Libra” e que continuará fazendo parceria com o Facebook no futuro.
A Libra Association é composta por quase 30 grandes empresas, que se uniram para ajudar a governar a nova criptomoeda lançada pelo Facebook. David Marcus, que lidera o projeto no Facebook, é ex-presidente do PayPal.
Segundo informações do Wall Street Journal, o grupo por trás da rede global de pagamentos em moeda está se fragmentando. A Visa, Mastercard e outros parceiros financeiros que aderiram estão “reconsiderando” o envolvimento no projeto após a reação de funcionários do governo, disse o jornal, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
Desde que foi anunciada, em junho, a Libra foi alvo de bastante debate. No caso do Facebook, por estar à frente do projeto, chamou a atenção de membros do comitê financeiro do congresso dos EUA, reguladores globais e especialistas do setor, que questionam a motivação da rede social em lançar este projeto.
Entre os críticos, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que a Libra levanta “sérias preocupações com privacidade, lavagem de dinheiro, proteção ao consumidor, estabilidade financeira” e o Fed lançou um grupo de trabalho para examinar o projeto.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Mastercard e Visa estariam repensando apoio à criptomoeda Libra

Quando o Facebook revelou a criptomoeda Libra, vários nomes de peso foram anunciados como parceiros da iniciativa. Entre eles estão duas gigantes do setor financeiro: Mastercard e Visa. Mas essa parceria pode não ir muito longe: ambas as companhias estariam cogitando pular fora do projeto.
Libra Association
A informação vem do Wall Street Journal, que afirma ter ouvido fontes próximas às duas companhias. De acordo com o veículo, Mastercard e Visa estariam repensando a sua participação no projeto por conta da resistência que o Libra vem enfrentando, sobretudo no âmbito regulatório.
Um exemplo vem da França que, recentemente, defendeu a proibição da criptomoeda em toda a União Europeia — o plano do Facebook é lançar o Libra globalmente até junho de 2020.
O plano original prevê ainda que, como membros da Libra Association, Mastercard e Visa contribuam com o desenvolvimento do sistema de pagamentos da criptomoeda. Como esse é um assunto que as duas companhias dominam, a decisão de abandonar o projeto poderia resultar em um atraso expressivo no lançamento da moeda digital.
Na verdade, o atraso é uma possibilidade que vem ganhando força. Embora o Facebook não confirme, fala-se nos bastidores que a companhia estaria considerando adiar o lançamento do Libra por conta das questões regulatórias levantadas em várias partes do mundo.
Visa e Mastercard foram procuradas, mas não se pronunciaram sobre o assunto, o que não surpreende: as duas companhias têm evitado comentar a respeito do Libra.
Membros da Associação Libra
Já David Marcus, executivo do Facebook que figura como um dos criadores do Libra, usou o Twitter para comentar a reportagem do Wall Street Journal. Em uma das mensagens, ele diz (em tradução livre):
“Uma mudança dessa magnitude é difícil e requer coragem — será uma longa jornada. Para o Libra ter sucesso, é preciso comprometimento dos membros e, embora eu não tenha conhecimento sobre organizações específicas que não queiram avançar [no projeto], o compromisso com a missão é mais importante do que qualquer outra coisa”.
Marcus também destacou que os primeiros apoiadores oficiais do Libra serão confirmados em breve — membros da Libra Association devem se reunir no dia 14, em Genebra, para revisar o estatuto da entidade e criar um conselho de administração.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Zuckerberg não confirma data de lançamento da Libra

Resultado de imagem para mark zuckerberg

Falando em entrevista ao Nikkei na quinta-feira, Zuckerberg foi perguntado sobre a data prevista da chegada da stablecoin, à qual ele respondeu:
“Obviamente, queremos avançar em breve [e] não levaremos muitos anos para lançar”, disse ele. “Mas, no momento, estou realmente focado em garantir que façamos isso direito.”
Desde o lançamento do white paper da Libra em junho, os reguladores em todo o mundo têm sido estridentes em suas objeções ao projeto, dizendo que ele representa não apenas um risco para a estabilidade financeira e pode ser usado em crimes financeiros, mas também uma ameaça às moedas soberanas. Notavelmente, os legisladores nos EUA e na França pediram a suspensão do projeto.

Abordagem cautelosa

O projeto Libra parecia ter cumprido sua meta de 2020, com o diretor-gerente da Associação Libra e o COO Bertrand Perez dizendo em meados de setembro que “Estamos mantendo firmemente nosso cronograma de lançamento, entre o final do primeiro semestre do ano e o final de 2020. ”
Zuckerberg também disse que o Facebook está adotando uma abordagem mais cautelosa ao apresentar projetos como a Libra que são “muito sensíveis à sociedade”, permitindo um período de consulta e “trabalhando com as questões”.
“Essa é uma abordagem muito diferente da que poderíamos ter adotado cinco anos atrás”, disse ele.
O CoinDesk entrou em contato com a Libra Association, organização sem fins lucrativos criada para gerenciar e desenvolver a criptomoeda, para perguntar se seus planos haviam mudado em relação ao cronograma de lançamento.

Vantagens da Libra

Em notícias relacionadas, David Marcus, CEO da Calibra (a entidade que cria uma carteira digital para o projeto), defende a Libra como uma melhoria nos sistemas de pagamento tradicionais.
Em um post do Medium na quarta-feira, ele escreveu que a Libra seria um “divisor de águas” para o público, argumentando que “as ‘redes monetárias’ existentes estão fechadas e não estão bem interconectadas”.
Eles também estão desatualizados, disse ele, explicando:
“Alguns desses sistemas foram construídos nas décadas de 1960 e 70 e, apesar de terem recebido atualizações desde então, eles geralmente vivem em cima de uma infraestrutura herdada e fragmentada”.
A necessidade de intermediários nos métodos tradicionais de pagamento também “significa atrasos e custos adicionais a cada passo do caminho”, acrescentou Marcus.
A Libra, por outro lado, permitirá que o valor seja movido ao redor do mundo “quase em tempo real” e a “um custo incrivelmente baixo”.
Marcus estabeleceu ainda seu grande sonho para Libra, dizendo:
  “Assim como o SMTP permitiu que qualquer provedor de e-mail interoperasse com outros provedores de e-mail, a Libra pode ser o” protocolo “que permitirá a movimentação de dinheiro rápida, barata e estável entre provedores de serviços, instituições e pessoas em todo o mundo.”
Isso, ele alegou, reduziria os custos de operação dos sistemas de pagamentos, eliminando os intermediários e reduzindo a “complexidade operacional e as despesas gerais”. Também facilitaria o envio e recebimento de dinheiro e diminuiria a “barreira de acesso ao dinheiro digital moderno e serviços financeiros. ”
Fonte: CoinDesk

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Por que a França e a Alemanha temem a criptomoeda do Facebook?



Os planos do Facebook de lançar sua própria criptomoeda (chamada de Libra) no ano que vem estão recebendo resistência por parte da França e Alemanha, que prometeram bloqueá-la e pretendem criar suas próprias moedas virtuais nacionais.

Os dois países afirmaram que a Libra poderia ameaçar o valor do euro e privatizar ilegalmente o dinheiro. No ano passado, o Banco Central da Índia (RBI) anunciou a proibição do uso de criptomoedas por qualquer entidade financeira regulamentada por causa dos riscos.

"Meu palpite é que todas essas nações estão preocupadas com as possíveis implicações para a política monetária", disse David Furlonger, vice-presidente de pesquisa do Gartner. "E, quando há uma entidade privada que possui a quantidade de envolvimento potencial de clientes e, portanto, fluxos monetários em potencial, como o Facebook, então esses países estão preocupados com o impacto que isso possa ter sobre sua capacidade de implementar adequadamente políticas que sejam benéficas para a sua própria nação."

A China também trabalhou para limitar o bitcoin, primeiro restringindo as ofertas iniciais de moedas e depois os pools de mineração de bitcoin. O país também pode estar planejando a criação de sua própria moeda digital.

Em meio a uma guerra comercial em andamento com os EUA, a China também pode estar procurando criar uma maneira de usurpar o dólar como moeda comercial, de acordo com Felix Shipkevich, principal advogado da Shipkevich PLLC de Nova York. O chefe do novo Instituto de Pesquisa de Moeda Digital do Banco Popular da China (PBoC) quer que o banco central do país crie uma criptomoeda, que, segundo ele, daria estabilidade ao dinheiro fiduciário da China.

Em um blog, David Andolfatto, economista do Federal Reserve Bank de St. Louis, argumentou que as criptomoedas apoiadas pelo governo forneceriam maior transparência nas transações.

Alguns especialistas acreditam que, como o Facebook tem mais de dois bilhões de usuários, mesmo uma pequena porcentagem que compre uma média de 200 dólares de Libra poderia ter um enorme impacto nas economias de todo o mundo - e tornar a rede social um banco de reserva.

"Dadas as ambições deles, posso começar a me referir a eles como o Facebook Bank", declarou Clifford Rossi, professor de finanças da Escola de Negócios Robert H. Smith da Universidade de Maryland. A entrada do Facebook na arena bancária coloca pressão adicional sobre os bancos comerciais em um momento em que eles já estão lutando para aprender a competir contra as fintechs.

Em todo o mundo, o valor comercial derivado da blockchain deve aumentar de US$ 9 bilhões neste ano para US$ 50 bilhões em 2022, segundo o Gartner. O maior crescimento deve ocorrer no próximo ano, quando o Facebook planeja lançar a moeda Libra e a carteira digital Calibra. No entanto, o chefe de criptografia do Facebook, David Marcus, descartou a ideia de que a Libra poderia ameaçar "a soberania das nações".

Em uma série de tweets, Marcus explicou que a ideia da Libra é simplesmente ser uma melhor rede e sistema de pagamento para as moedas existentes, "oferecendo valor significativo aos consumidores em todo o mundo".

Como outros esforços para criar criptomoedas, o Facebook amarraria a Libra a uma moeda fiduciária, o dólar americano ou outra moeda nacional local, criando o que a indústria chama de "moeda estável". Apesar disso, alguns especialistas acreditam que a ameaça representada pelo projeto do Facebook vai além do banco comercial, passando pelos bancos centrais e de reserva.

Neste mês, o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, declarou que a Libra não deve operar na Europa, enquanto persistirem preocupações sobre a soberania e os riscos financeiros.

"Como já foi expresso durante a reunião dos Ministros das Finanças do G7 e dos Governadores do Banco Central em Chantilly, em julho, a França e a Alemanha consideram que o projeto Libra, conforme estabelecido no modelo do Facebook, falha em convencer que esses riscos serão tratados adequadamente. Acreditamos que nenhuma entidade privada pode reivindicar poder monetário, que é inerente à soberania das Nações", anunciaram Bruno Le Maire e seu colega alemão Olaf Scholz.

Na reunião do G7, o bloco da zona do euro de 19 países indicou que está unido na busca de uma abordagem regulatória rígida, caso a Libra busque autorizações para operar na Europa.

"Quando você pensa em quantos usuários do Facebook existem, percebe que, de certa forma, é uma nação digital", explicou Cindy Yang, parceira e líder de equipe do grupo da indústria de fintechs no escritório de advocacia Duane Morris LLP, com sede em Nova York. "Então, a ideia de que eles permitirão que as pessoas usem a Libra como moeda digital transacional dentro do sistema, e a ideia de que as pessoas possam colocar a moeda que desejarem - seja um euro ou um dólar americano - é preciso dinheiro fora de circulação. Portanto, isso tem pressão inflacionária."

"Quando você olha para as audiências do Comitê de Finanças da Câmara [em Libra], uma das principais perguntas que não foi respondida, surpreendentemente, foi o quanto o Facebook pensa, em média, que uma pessoa manteria uma moeda digital. Ele [David Marcus] não conseguiu nem responder a essa pergunta, o que parecia estranho, porque você acha que eles fizeram algumas previsões", acrescentou Yang.

Shipkevich acredita que a Libra do Facebook pode não apenas causar turbulência econômica, mas também permitir que a própria rede social se torne a autoridade bancária de um país em desenvolvimento, ou de um país em crise, como a Venezuela.

"Se você é o Facebook e mantém 10% da moeda local da Venezuela por meio da Libra, você se torna uma reserva quase federal para esse sistema", revelou Shipkevich. "Minha primeira reação a Libra foi: 'Você está brincando comigo?' Como estamos apenas 10 anos após a Grande Recessão global permitindo que uma única empresa possa controlar potencialmente os sistemas de reservas federais dos países em desenvolvimento?"

De fato, a rede social obteve forte apoio da indústria para a sua moeda digital. Formou a Associação Libra, com sede na Suíça, que atualmente possui 28 membros, incluindo Mastercard, Visa, eBay, PayPal, Uber e Lyft.

Dante Disparte, chefe de políticas e comunicações da Associação Libra, disse em comunicado que o grupo está "comprometido em trabalhar com as autoridades reguladoras para alcançar uma implementação segura, transparente e focada no consumidor do projeto Libra".

Projetos de moedas estáveis, como o Blockchain World Wire da IBM , têm como alvo países em desenvolvimento, onde os cidadãos têm poucas ou nenhuma opção para abrir uma conta bancária e são forçados a usar serviços caros para enviar dinheiro para a família se estiverem trabalhando fora de seu país de origem.

O aplicativo de carteira digital Calibra do Facebook está sendo desenvolvido para mostrar taxas de câmbio internacionais para a troca de moeda fiduciária, como o dólar americano em moeda digital Libra e vice-versa. Por ser baseado em blockchain, o Facebook está cortando o intermediário - um banco central ou uma câmara de compensação; isso elimina a maioria dos custos associados às transações financeiras hoje.

"As taxas de transação serão baratas e transparentes, especialmente se você estiver enviando dinheiro internacionalmente. A Calibra cortará taxas para ajudar as pessoas a economizar mais dinheiro", afirmou o Facebook.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Criptomoeda Libra terá lastro dividido em cinco moedas – mas sem a chinesa yuan



A composição percentual do Libra, projeto de criptomoeda do Facebook, foi divulgada na última sexta-feira pelo jornal alemão Der Spiegel. A reserva monetária do fundo do Libra será composta por dólar americano (50%), euro (18%), iene (14%), libra esterlina (11%) e dólar de Cingapura (7%). Portanto, a criptomoeda não terá lastro algum com o yuan, moeda oficial da China.
O Libra ainda enfrenta resistência por parte de reguladores, tanto nos EUA como na União Europeia, por conta de uma descrença na segurança e confiabilidade das criptomoedas. Em julho, um representante do Facebook discursou para o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Deputados dos EUA sobre o projeto. A estratégia usada para convencê-los foi afirmar, sem citar nomes, que “se os EUA não liderarem a inovação em moedas digitais e pagamentos, outros irão”.  Nas entrelinhas, a fala referiu-se à China. “Se falharmos em agir, poderemos em breve ver uma moeda digital controlada por outros, cujos valores são dramaticamente diferentes”, afirmou David Marcus, executivo do Facebook.
A expectativa é de que o fundo tenha aproximadamente US$ 1 bilhão, para garantir a estabilidade da moeda digital. Além do Facebook, o projeto tem como apoiadores Visa, Uber, Paypal, Mastercard e cerca de vinte outras empresas.
No contexto da disputa comercial e tecnológica entre EUA e China, o fato de o fundo não ter yuan na composição é mais um apelo para que o projeto seja bem visto pelos governantes norte-americanos. Recentemente, inclusive, o senador Mark Warner alertou contra a adição do yuan à cesta de moedas do Libra. A moeda chinesa vem se tornando cada vez mais uma moeda global, o que pode configurar a médio prazo uma ameaça ao dólar como moeda dominante em transações internacionais.
Além disso, a China está prestes a lançar sua própria moeda digital. Diferente do Libra, a iniciativa veio do Banco Central e as transações não serão criptografadas, de forma que o controle permanece com o governo chinês. Ainda que as propostas sejam diferentes, o timing dos projetos mostra que o entrave econômico está, mais do que nunca, inserido no âmbito virtual.