terça-feira, 25 de junho de 2019

O dinheiro nunca foi tão esperto

Uma década depois do surgimento do Bitcoin, uma nova geração de criptomoedas chega para revolucionar a maneira como fazemos negócios e nos relacionamos em termos econômicos. É a era das moedas inteligentes




Adeus, papel: CEO da plataforma Wiboo e criador da criptomoeda Wibx em colaboração com o ITA, Pedro Alexandre vê um novo futuro para as transações monetárias (Crédito: Claudio Gatti)

Moedas cunhadas em pedras e metais já existiam mil anos antes de Cristo, mas o dinheiro como o conhecemos está por aí desde o início do século 8. Os imperadores chineses da dinastia Tang pagavam suas despesas com retângulos de papel-arroz impressos e assinados, que poderiam ser convertidos em ouro na cidade de Chang’an, capital do Império, no centro da China. Mais de 13 séculos depois, isso não mudou muito. Apesar de boa parte das transações financeiras terem se tornado eletrônicas, ainda se usam retângulos de papel impressos e assinados para fazer negócios. E pequenos discos de metal continuam servindo para compras de baixíssima monta ou, no mínimo, para perfazer o troco. Isso foi até agora. Uma revolução tecnológica equivalente à introduzida pelos chineses está prestes a tornar-se realidade. E mudar tudo o que o dinheiro representa.

Há pouco mais de dez anos, a moeda virtual Bitcoin, criada pelo australiano Craig Wright sob o pseudônimo Satoshi Nakamoto, capturou a imaginação de todos os que tinham alguma relação com tecnologia. Uma década depois, novas criptomoedas, baseadas no mesmo modelo de blockchain da pioneira Bitcoin, mas adaptadas a novos modelos de negócio, introduzem um novo valor ao dinheiro: a inteligência. Com isso, a maneira como nos relacionamos economicamente jamais será a mesma.

O melhor sinal do início dessa revolução veio de Mark Zuckerberg. O Facebook confirmou, na primeira semana de junho, que irá divulgar os planos para sua própria moeda virtual. Denominada Libra, a criptomoeda da rede social deverá começar a circular apenas em 2020. Pouco se sabe sobre o assunto — o “white paper”, ou documento que revela os parâmetros do lançamento, só vai circular no dia 18 de junho. Até lá, é tudo especulação. O que está confirmado é que a Libra estará, de alguma forma, ligada às taxas de câmbio de moedas de 12 países e que deverá ser usada entre usuários da rede social para transacionar produtos e serviços. Será, como toda criptomoeda, baseada na tecnologia do blockchain. Mesmo sendo complexa, ela é relativamente fácil de explicar. Um blockchain é uma base de dados.

O que a torna tão útil é ser universal. Por estar localizada em milhares de computadores e servidores independentes na internet, ela é acessível a todos. Isso lhe permite servir de referência para transações. Por exemplo, é possível registrar que 0,01 Bitcoin foi negociado por R$ 315 às 20 horas, 36 minutos e 42 segundos do dia 12 de junho. No futuro, qualquer usuário do blockchain poderá acessar essa informação e confirmar esse negócio. Tanta visibilidade permite rastrear dados e possibilita fazer transações financeiras de maneira tão segura quanto as transferências realizadas pelas empresas internacionais de remessas. Com algumas diferenças importantes: de maneira instantânea, sem precisar do sistema financeiro e por uma fração ínfima do preço cobrado hoje.Pioneiro: Craig Wright, que "teoricamente" lançou o bitcoin disfarçado de Satoshi Nakamoto: sua moeda teve valorização de quase 8.000% (Crédito:Divulgação)

É possível avaliar o impacto da decisão do Facebook de entrar na mais recente revolução monetária comparando dois números. Em seu auge, dezembro de 2017, o Bitcoin chegou a ter 100 milhões de investidores, segundo estimativa do gestor de recursos americano Spencer Bogart, sócio da Blockchain Capital. Em fevereiro deste ano, quando completou seu décimo-quinto aniversário, a rede social de Zuckerberg anunciou ter 2,3 bilhões de usuários. E muitos deles são usuários em potencial de um instrumento de pagamentos global que pode sustentar transações instantâneas e muito mais baratas que as dos canais tradicionais. Com a escala planetária do Facebook, a transformação completa do dinheiro tal qual o conhecemos é só uma questão de tempo.

O Facebook, evidentemente, não é a única corporação de grande porte a testar essas águas. Também na primeira semana de junho, um consórcio de 14 dos maiores bancos globais liderado pelo suíço UBS anunciou que pretende colocar de pé um sistema de transações internacionais com base no blockchain de modo a reduzir custos. O banco americano JP Morgan está trabalhando aceleradamente para começar os negócios com sua própria moeda virtual baseada em blockchain, a JPM Coin, que servirá para acelerar e baratear transações entre filiais do banco ao redor do mundo. E a rede de supermercados americana Target também divulgou, na segunda-feira 10, seus planos para lançar uma moeda própria.

Assim, o que era algo restrito a uns poucos aficionados por tecnologia chegou às grandes empresas. Em um artigo divulgado na segunda-feira 10, Matt Higginson, Atakan Hilal, e Erman Yugac, todos consultores-sênior da McKinsey, dizem que o mercado de pagamentos é um cenário perfeito para essa experimentação. Por seus cálculos, as remessas internacionais de pessoas físicas movimentam cerca de US$ 600 bilhões todos os anos e o volume cresce 3% a cada 12 meses. Mas há muitos problemas. “As taxas são elevadas, de 2% a 3%, podendo chegar a 10%, e o processo é lento e opaco”, escreveram. Isso explica porque, ainda em 2017, as firmas americanas de capital de risco tinham reservado US$ 1 bilhão para investir em criptomoedas.


VAREJO 

Esse movimento chegou ao Brasil. Na quarta-feira 12, a Febraban aproveitou o Congresso Interamericano de Automação Bancária (Ciab), que é o principal evento tecnológico do setor, para divulgar a Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional. Ela será usada, a princípio, para compartilhar informações entre os bancos (como a identificação de celulares usados em transações financeiras), em uma tentativa de reduzir o número de fraudes. Essa, porém, é uma parte menor da história. O melhor vem agora.Até hoje, para possuir qualquer soma em dinheiro, era preciso adquiri-lo.

As formas para isso eram basicamente vender mercadorias, prestar serviços, ceder horas de trabalho ou permutar por outra moeda. Nas últimas décadas, essas transações tornaram-se também virtuais: zeros e uns trocando de lugar nos servidores dos bancos e das processadoras de cartões de crédito e débito. Mas o dinheiro continuou sendo um objeto que, passivamente, trocava de dono. Isso só mudaria com o surgimento das criptomoedas. “O benefício do blockchain é trazer para o mundo do dinheiro uma eficiência que ele não tem”, afirma Guga Stocco, CEO da GR1D, co-fundador da Domo Invest e um dos conselheiros da Wiboo, empresa brasileira criada com a ambição de disseminar o uso de uma criptomoeda varejo, Wibx.Zuckerberg: o Facebook prometeu divulgar os detalhes da criptomoeda libra no dia 18 de junho (Crédito:Alain Jocard / AFP)

“O blockchain torna o dinheiro programável, seguro e acessível”, resume Guga. Para entender melhor, tomemos como exemplo a futura moeda virtual do Facebook. Ela pode servir não só para que um usuário venda uma gravação rara de uma banda que fez sucesso nos arredores de Plymouth nos anos 1960 e de quem não se ouviu falar desde então. Além de satisfazer os fãs, as moedas virtuais poderão garantir, de maneira automática, que os herdeiros dos músicos sejam remunerados pela criação dos pais todas as vezes que as melodias forem transacionadas.

Há mais. A enorme flexibilidade das moedas virtuais permite a adoção de modelos de negócio muito variados. No Brasil, empresas de pesca oceânica vêm desenvolvendo usos de criptomoedas para identificar atuns capturados nas águas brasileiras, e um consórcio de empresas do setor de consumo está estudando substituir o tradicional envio de amostras grátis ao varejo pela distribuição de moedas virtuais. “Isso permitirá reduzir custos e zerar desvios”, diz o advogado Fernando Barrueco, diretor jurídico da Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo (Bomesp). E a empresa americana Ripple desenvolveu uma plataforma de remessas já usada por cerca de 200 bancos em 40 países (leia mais nos quadros).


TRÊS EM UM 

O desenvolvimento das moedas permite superar algumas das deficiências do Bitcoin que o transformaram em um bom ativo para se investir (ou especular), mas que dificultaram sua adoção como meio de pagamento. No caso do Bitcoin, a analogia mais evidente é com o ouro (daí a necessidade de “mineração” da moeda). O valor depende da escassez e da limitação do recurso, algo que foi estipulado por seu criador. No caso da criptomoeda brasileira Wibx, seu nascimento não se deu a partir de um só modelo de negócio, e sim de três: ser criptoativo, moeda para o varejo e meio de fidelização. “Pegamos três plataformas e criamos uma nova”, diz Pedro Alexandre, criador do Wibx e CEO da empresa Wibbo. A premissa é, portanto, entregar valorização, recompensa ao usuário (como os programas de fidelidade) e promover a descentralização da publicidade (como fazem as redes sociais, por meio do engajamento).

Por trás do desenvolvimento do Wibx está uma cooperação inédita com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, no interior paulista. “O Vale do Silício, nos Estados Unidos, se tornou o que é por causa de Stanford”, diz Guga, que acumula entre suas funções a de embaixador do Stanford Research Institute (SRI) no Brasil. “Nós temos o ITA”. A ligação entre o instituto que projeta aviões e o Wibx não é formal. Trata-se de uma cooperação do tipo ganha-ganha, na qual hipóteses desenvolvidas por ambas as partes são testadas para verificar sua viabilidade prática. “Validamos a tecnologia para poder posicionar o Wibx não só como mais uma criptomoeda e sim como uma ferramenta capaz de integrar anunciantes e clientes de uma maneira inédita”, diz Alexandre. Nesse ponto, o Wibx pode ser comparado a um cartão de crédito.

A fatura traz não apenas dados da compra, como também os pontos acumulados no programa de fidelidade do usuário. Até aí, nada de novo. Mas o Wibx pretende dar um passo além. A recompensa pode vir não apenas do uso como moeda, mas também do engajamento, mesmo que nada seja comprado. “Ela se torna o próprio cashback do marketing”, afirma Alexandre. Como? “O anunciante consegue obter um mercado inédito de atenção no celular, aproveitando todas as interações que a moeda permite, e ainda se beneficia de todas as métricas que só o blockchain pode oferecer.” Assim, segundo seu criador, o Wibx nasce lastreado por um orçamento de marketing já pré-determinado. Desenvolver sua utilização como meio de pagamento no varejo e veículo publicitário é que fará com que a moeda se valorize.

Fabrício Toda: mercado bitcoin vê com bons olhos a regulação das criptomoedas e de exchange pela Receita Federal (Crédito:Divulgação)


“A exchange é uma das formas de ganhar com o Wibx”, diz Fabrício Tota, diretor de OTC em grandes clientes no Mercado Bitcoin, corretora trabalha com as cinco maiores criptomoedas do mundo e que atualmente está em fase de integração com a Wibx, que será a sexta do portfólio e a primeira nacional. Tota lembra que a valorização do Bitcoin foi de cerca de 8.000% em dez anos e que a oscilação está sujeita a externalidades, como ocorre com todo criptoativo (confira a evolução de valores nos quadros).

A recente valorização do Bitcoin, depois de meses em queda, se deveu a uma restrição à compra de dólares determinada pelo governo chinês em meio à guerra comercial com os EUA. “O mercado acreditou mais no Bitcoin que no Yuan”, diz Guga, destacando que qualquer susto econômico pode fazer uma criptomoeda ganhar ou perder valor. “A volatilidade depende do ambiente, da confiança e do conhecimento que se tem sobre a moeda”, afirma. Como as criptomoedas ainda são uma novidade, pouca gente se familiarizou com seu funcionamento. Mas, ainda segundo Guga, que é membro dos conselhos consultivos da B3, Carrefour e Hapvida, “muitos empreendedores estão entrando nessa mudança de mindset do mercado financeiro”. Isso inclui a regulamentação de cada país.


Há um mês, a Receita Federal emitiu a primeira regulação específica de criptoativos e exchange. “A gente viu com bons olhos o fato do uso desse tipo de recurso ter sido reconhecido”, diz Fabrício Toda, da corretora Mercado Bitcoin, que tem 1 milhão de clientes e transaciona as cinco principais criptomoedas do mundo, como Bitcoin, Litecoin e Ethereum. Ainda que as transações globais possam variar de acordo com cada regulação, no Brasil a regra é simples: qualquer um pode comprar e vender criptomoeda usando a intermediação de uma corretora, e o imposto é de 15% sobre o lucro na venda.


EM TESTES 

Depois de ter passado pelo ICO (Initial Coin Offering, ou oferta inicial de moeda), a listagem do Wibx ao Mercado Bitcoin aguarda apenas a integração das duas plataformas, que será concluída dentro do próximo trimestre. Assim que houver a possibilidade de conversão (a troca da criptomoeda por dinheiro), ela estará apta para ser aceita também no varejo.

Neste momento, segundo Pedro Alexandre, há vários parceiros em teste, de construtoras a lanchonetes. “Nós fomos aceitos como sócio-fornecedor da Associação Nacional de Restaurantes para fazer a integração com as grandes redes de alimentação do País”, afirma Alexandre. “A gente montou uma força-tarefa para o lançamento”, completa João Marinho, também conselheiro do Wibx. “A chance de as pessoas entrarem nesse ecossistema por engajamento traz uma inclusão digital e financeira que nenhuma moeda permite”. Essa é mais uma das maravilhas desse admirável mundo novo do dinheiro.






Controle sobre os processos



Um dos principais problemas ambientais é a superexploração dos oceanos por meio da pesca predatória. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) lançou o primeiro programa para preservar a vida marinha em 1982. Mais nove protocolos se seguiram, e o mais recente deles é de 2018. Mesmo assim, o problema permanece. Até 2016, as únicas ferramentas para controlar a pesca predatória eram a fiscalização de portos e navios. Naquele ano, porém, foi criada uma criptomoeda para permitir identificar os peixes fisgados e acompanhar seu processamento, da água até as prateleiras dos supermercados.

A primeira espécie a ser rastreada foram os atuns. São peixes valiosos. No dia 9 de janeiro, o proprietário de uma rede de restaurantes no Japão pagou um valor recorde de US$ 3,1 milhões por um atum do Atlântico de 278 quilos (sim, R$ 43,6 mil o quilo). Nos últimos anos, os armadores internacionais identificam o que capturam por meio da Tuna Coin, também sustentada pela tecnologia blockchain. “Com preços tão elevados, há muitos incentivos para que armadores pesquem mais do que o permitido”, diz o advogado Fernando Barrueco, da Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo. “O uso da moeda virtual permite identificar os peixes ao longo de toda a cadeia produtiva, o que dificulta que o produto da pesca ilegal entre no sistema.”

Segundo o advogado, mecanismos semelhantes podem ser adotados por outros setores. Um dos projeto em análise na Bomesp envolve um consórcio de empresas de consumo que estuda substituir o envio de amostras grátis pela distribuição de uma moeda virtual, ainda a ser criada. “Isso permite rastrear o destino de quem recebeu os brindes, evitando o risco de que eles sejam comercializados irregularmente”, diz o advogado.


De olho nas remessas


O total de remessas internacionais entre pessoas físicas movimenta US$ 600 bilhões por ano. As transferências para fazer girar as rodas do comércio exterior chegam a US$ 10 trilhões anuais, em um mercado que cresce 3% ao ano e cujos custos de transação podem chegar a 3% do valor enviado. De olho nesse filão, a empresa americana de tecnologia Ripple desenvolveu uma rede de transações internacionais baseada na tecnologia blockchain. “Ela nos permite fazer transações instantâneas e seguras, evitando os riscos das oscilações das taxas de câmbio em momentos de volatilidade”, diz Luiz Antonio Sacco, diretor-geral da Ripple na América Latina. As transações podem ser processadas por meio da moeda virtual XRP, uma das cinco mais negociadas ao lado de Bitcoin e Ethereum. Quem envia converte a moeda do país de origem em XRP, a criptomoeda é transferida e novamente convertida na moeda do país de destino. Segundo o executivo, o processo pode levar poucos minutos. “Em alguns casos, o processo tradicional pode levar até dois dias”, diz ele.

Fundada há sete anos, a Ripple tem 200 clientes em 40 países. No Brasil, ela atende bancos de varejo, como o Santander, e instituições financeiras de nicho, como o Banco Rendimento, especializado em câmbio, e a plataforma de transações financeiras digitais Bee Tech. A empresa não trabalha diretamente no varejo, mas proporciona aos bancos uma estrutura mais rápida e barata para movimentar dinheiro. Segundo Sacco, em tempos em que as autoridades estão mais rigorosas na identificação dos clientes, o uso da tecnologia blockchain facilita o trabalho. “Como a moeda é um ativo inteligente, ela permite que a identificação dos clientes seja enviada junto com os valores transferidos”, afirma o executivo.

Fonte: /www.istoedinheiro.com.br

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Moeda do Facebook traz novos riscos para a banca global

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Os planos do Facebook para criar uma criptomoeda, em paralelo com as iniciativas da Amazon ou da Alibaba que também já disponibilizam meios próprios de pagamento digital, colocam riscos ao sistema bancário internacional e exigem uma resposta rápida e integrada dos decisores políticos ao nível da concorrência e protecção dos dados dos utilizadores.

O alerta é deixado num relatório do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, na sigla inglesa), um organismo criado pelos bancos centrais de todo o mundo que analisou as vantagens e os riscos da entrada das grandes empresas tecnológicas no sector financeiro.

Empresas como a Alibaba, Amazon, Facebook ou a Google cresceram rapidamente nas últimas duas décadas, baseando-se num modelo assente nas interacções de um elevado número de utilizadores, refere o relatório. A Alibaba e o eBay disponibilizam serviços de pagamento como Alipay e o PayPal. Outras empresas usam as suas plataformas como um canal de distribuição de produtos de terceiros, incluindo seguros automóveis ou de saúde. Outros ainda aventuraram-se na área do crédito, dirigido sobretudo a pequenas empresas e consumidores e emprestando pequenas quantias por curtos períodos.

A disponibilização destes serviços, nota o BIS, tem vantagens mas traz também desafios “complexos” ao nível da estabilidade financeira, da concorrência e da protecção de dados. Por isso, alerta, os decisores políticos devem olhar de forma integrada para estes problemas.

“O objectivo deve ser responder à entrada das grandes tecnológicas nos serviços financeiros, de modo a beneficiar dos ganhos, limitando os riscos. Como as operações destas empresas abrangem diferentes perímetros regulatórios e fronteiras geográficas, a coordenação entre autoridades - nacionais e internacionais - é crucial”, lê-se no relatório divulgado neste domingo, depois de o Facebook ter anunciado o lançamento de uma moeda digital.


Os reguladores também têm um papel determinante e o BIS entende que lhes cabe “garantir condições equitativas entre as grandes empresas e os bancos, tendo em conta a ampla base de clientes das grandes tecnológicas, o acesso à informação e os modelos de negócios abrangentes”. 

No relatório o organismo internacional reconhece que os serviços financeiros disponibilizados pelas tecnológicas trazem também vantagens, dando como exemplo o facto de estas empresas poderem fornecer serviços financeiros básicos em lugares onde grande parte da população continua sem acesso a serviços bancários. Por outro lado, o facto de estas empresas terem acesso a uma grande quantidade de dados, permite-lhes avaliar o risco dos tomadores de empréstimos, reduzindo a necessidade de garantias para assegurar o pagamento.

As grandes tecnológicas, afirma o BIS, “estão posicionadas para aumentar a eficiência da prestação de serviços financeiros, promover a inclusão financeira e permitir ganhos associados à actividade económica”.

Na semana passada, o Facebook anunciou que está a preparar um novo sistema de pagamento assente na tecnologia da bitcoin. A intenção é que a nova criptomoeda (que terá a denominação libra) e a carteira electrónica para a guardar (a Calibra) estejam prontas no próximo ano, permitindo processar pagamentos e transferências online a partir de aplicações como o Messenger e o WhatsApp, sem depender dos bancos tradicionais.

Tal como a bitcoin, a libra vai circular numa base de dados descentralizada (a blockchain da libra) e de código aberto. Mas, contrariamente à bitcoin, a libra começa por estar suportada por uma reserva de moedas fiduciárias, como o dólar norte-americano, e para garantir alguma estabilidade à nova moeda cada membro fundador da associação deve contribuir com pelo menos dez milhões de dólares (perto de nove milhões de euros) durante a fase inicial.

A rede social não vai gerir directamente a nova moeda digital e entregou essa responsabilidade a uma associação de 28 empresas e organizações não-governamentais, que inclui a Visa, a Uber, o Spotify e a loja de roupa online Farfetch (que tem parte das operações em Portugal). Porém, o Facebook vai ser o responsável pela carteira digital Calibra, que, além de funcionar numa aplicação própria, irá funcionar em várias aplicações detidas pela rede social.

Fonte: www.publico.pt

domingo, 23 de junho de 2019

Análise Técnica: Criptomoeda Libra Do Facebook

O Facebook anunciou na terça-feira que sua altamente esperada criptomoeda Libra, será executada em uma rede de Blockchain protegida por 100 servidores de computadores distribuídos ou ‘nós’. Vinte e oito membros que executam o nó estão atualmente a bordo.

Libra.

O Blockchain da Libra será lançado em 2020, com a Libra Association – uma organização sem fins lucrativos com sede na Suíça – encarregada de liderar o desenvolvimento contínuo da criptomoeda.
Em um white paper divulgado na terça-feira, a organização detalhou como o Blockchain da Libra será tolerante a falhas bizantino, o que significa que o comportamento defeituoso de alguns dos atores da rede não comprometerá a segurança da rede mais ampla.
Afirma:
“O Blockchain da Libra torna extraordinariamente difícil para um atacante comprometer 33 ‘nós’ executados separadamente, que seriam necessários para lançar um ataque contra o sistema”.
Todos os nós iniciais encarregados de validar as transações na rede serão executados por “membros da fundação”. O grupo de 28 membros fundadores inclui Visa, Mastercard, Coinbase, PayPal, Uber, Lyft e outros, cada um investindo cerca de US $ 10 milhões para se juntar ao consórcio.
Isso contrasta com a abordagem mais aberta de Blockchains públicos como Bitcoin ou Ethereum, em que qualquer pessoa no mundo pode dedicar o poder de computação necessário para validar o histórico de transações da rede. No entanto, a participação dos nódulos da Libra se abrirá para todos.
“Na versão inicial do sistema, apenas os membros fundadores poderão ser um ‘nó’ que participa do algoritmo de consenso”, explicou Ben Maurer, líder técnico do Blockchain do Facebook, em entrevista exclusiva, acrescentando:
“Com o tempo, ele foi projetado para fazer a transição da participação no ‘nó’ desses membros fundadores que têm interesse na criação do ecossistema para pessoas que possuem Libra e têm uma participação no ecossistema como um todo”.
Em outro lugar em seu anúncio, o Facebook observou como pretende trabalhar em conjunto com o sistema financeiro existente. Por exemplo, observou especificamente as questões regulatórias de outros produtos Blockchain.
À medida que mais ‘nós’ são adicionados, o Facebook diz que Libra se tornará mais completamente descentralizada.
“O ecossistema da Libra é diverso – as organizações que compõem o pool de nós validadores são de várias indústrias e setores e estarão localizadas em diferentes lugares do mundo”, afirma o white paper. “Isso criará uma infra-estrutura sólida e distribuída, que aumentará a resiliência e garantirá que os nós validadores não estejam sujeitos a influência ou ataque comum”.
Na terça-feira, a Associação Libra publicou documentos detalhando o projeto completo de criptomoeda, no qual o Facebook desempenhou um “papel fundamental” na eclosão. O objetivo do projeto Libra, conforme detalhado no white paper, é criar um “sistema financeiro global mais acessível e mais conectado”.
Seguindo em frente, espera-se que o Facebook mantenha um papel de liderança sobre a iniciativa em 2019, mas a autoridade de tomada de decisão irá, em última análise, descansar com a Associação Libra sem fins lucrativos.
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Nova linguagem de programação.

Talvez a mais notável das especificações técnicas do projeto seja que, o Facebook criou uma linguagem de programação de computador dedicada chamada “Move” para executar seu novo  Blockchain da Libra.
“A razão pela qual construímos nossa própria linguagem é que queremos nos concentrar na flexibilidade do Blockchain ao longo do tempo”, disse Maurer, acrescentando:
“Uma das principais maneiras de fazer isso é ter programabilidade dentro do Blockchain. Se você quiser aproveitar novas funcionalidades ou novas técnicas, não precisará esperar que toda a rede seja atualizada”.
O motivo do Facebook para criar um novo idioma é remediar as deficiências das Blockchains existentes, explicou Maurer.
“Em Blockchains existentes, há muitos problemas com a escrita segura de códigos”, disse ele. “A linguagem Move é construída com segurança sendo um princípio fundamental do design”.
De acordo com uma fonte com conhecimento do processo de desenvolvimento, pistas para a implementação técnica do sistema podem ser encontradas antes de terça-feira na aquisição da Chainspace, uma startup formada por um grupo de engenheiros de Blockchain na University College London.
“Se você olhar para as coisas que George Danezis e a equipe técnica escreveram sobre os sistemas de pagamento do protocolo Coconut, você terá uma boa noção de algumas das coisas que o Facebook está procurando fazer e a escala que eles estão procurando fazer”, disse a fonte, referindo-se a um white paper de 22 de Agosto sobre o protocolo smart-contract.
Danezis, assim como Shehar Bano, da Chainspace, e Alberto Sonnino, todos trabalham no Facebook e são listados como signatários do white paper da Libra.

Privacidade e segurança.

No lançamento, o Libra Blockchain exigirá que seus membros sejam responsáveis ​​por girar ‘nós’ que se conectam, participam e, finalmente, protegem a rede Libra.
Esses membros fundadores incluem os gigantes de pagamentos Mastercard, PayPal e Visa, além de grandes empresas de tecnologia como eBay, Lyft, Spotify e Uber.
Estacando startup Bison Trails é uma das várias empresas de criptografia envolvidas na fundação.
Falando à lista de parceiros atuais, o CEO da Bison Trails, Joe Lallouz, disse:
“Uma das coisas mais impressionantes, para mim, sobre este projeto é o quão atenciosos eles estão sobre realmente distribuí-lo. Trazendo muitos parceiros para garantir que não haja centralização de decisões ou governança”.
Todas essas organizações terão que garantir que o software e hardware que estão executando para a rede Libra seja “independente” de todos os outros sistemas internos da empresa, afirma o white paper.
Além disso, esses ‘nós’, ao validar e confirmar transações no Blockchain da Libra, não armazenam dados na identidade real de um usuário. Em vez disso – seguindo o exemplo das redes tradicionais de Blockchain, como Bitcoin – as informações sobre os usuários do sistema serão restritas aos seus endereços alfanuméricos de Blockchain públicos.
“As transações não contêm links para a identidade do mundo real de um usuário”, diz o white paper de Libra. “Essa abordagem segue a norma de transações sob pseudônimo adotadas por outras grandes Blockchains. Essa abordagem é familiar para muitos usuários, desenvolvedores e reguladores”.

“Código de estágio inicial”.

“O Move foi projetado para tornar seguro a criação de programas que gerenciam ativos de Libra”, afirma o white paper.
Mesmo assim, a Associação Libra está ansiosa para que a Libra Blockchain e todas as suas ferramentas associadas sejam totalmente inspecionadas e garantidas pelo público em geral, antes de seu esperançoso lançamento na rede no primeiro semestre de 2020.
Como tal, a Associação Libra lançou o “código de estágio inicial” sob uma licença de software livre e permissível da Apache Software Foundation.
“Este teste nos ajudará a coletar feedback da comunidade sobre a direção do projeto e trabalhar para garantir um lançamento escalável, confiável e seguro”, disse a Associação Libra.
Para isso, haverá um programa complementar de recompensas de bugs patrocinado pela organização sem fins lucrativos em parceria com a empresa de segurança cibernética HackerOne,para motivar financeiramente pesquisadores e desenvolvedores na descoberta de quaisquer vulnerabilidades ocultas de segurança e privacidade no código de código aberto.
Falando sobre as motivações globais, não apenas do projeto mais amplo da Libra, mas especificamente do programa de recompensas, a Associação Libra disse:
“A Associação Libra é um esforço global e também o Programa Libra Bug Bounty. Seremos globalmente inclusivos à medida que promovemos contribuições de pesquisadores de todo o mundo e hospedemos eventos de recompensas de insetos em diversos locais”.

sábado, 22 de junho de 2019

21 Opiniões Super Honestas Sobre a Criptomoeda Libra do Facebook

cripto-moeda libra do facebook

Por CCN Markets : Talvez você tenha ouvido as notícias? O Facebook está lançando uma criptomoeda chamada Libra .
Com as intermináveis ​​tempestades de tweets e posts médios e peças de pensamento! Aqui estão alguns dos comentários mais importantes de reguladores, especialistas em blockchain, analistas de finanças, reguladores e os próprios executivos do Facebook .

Comunidade Bitcoin no cryptocurrency Facebook

A comunidade de criptografia é dividida pelo anúncio criptográfico do Facebook . A maioria foi rápida em apontar que não é uma verdadeira blockchain, mas eles quase unanimemente acreditam que abrirá a porta para o bitcoin e ameaçará as finanças tradicionais.
1. Ryan Selkis (CEO do Messari) - O Libra do Facebook é uma “ droga de entrada ”para a criptografia.
2. Erik Voorhees (pioneiro do bitcoin e CEO da ShapeShift)
“Diminua o zoom por um segundo e perceba o quanto esta indústria chegou. As maiores empresas do mundo estão lançando moedas criptografadas. ESTRONDO."
Leia a excelente análise dos prós e contras aqui .
3. Andreas Antonopoulos (Bitcoin evangelista e educador)
“O Libra do Facebook é um verdadeiro blockchain? Não. Competirá contra o Bitcoin e blockchains públicos verdadeiramente abertos? Nunca."
Leia por que Libra não atende aos seus critérios de blockchain aqui .
4. Tamas Blummer (desenvolvedor de Bitcoin)
“Tentar comprar liderança em uma tecnologia de ponta é muito caro e provavelmente fútil. Tenho certeza de que isso será um fracasso muito caro, mas é um ótimo abridor de portas para o Bitcoin. ”
Leia a sua queda brutal aqui .
5. Shu Zu (Capital das Três Setas)
"Eu acho que há algo punk rock e subversivo sobre o Libra WP."
Via Twitter .
6. Changpeng Zhao (CEO da Binance)
“O Facebook deve aceitar o bitcoin (e o BNB, é claro) sozinho do Libra nos aplicativos WhatsApp, Messenger, Facebook e Instagram.”
Via Twitter .
7. Nic Carter (Castle Island Ventures)
"Se o Facebook conseguir realizar esse esquema ambicioso, ele acelerará o inevitável colapso da longa cauda das moedas soberanas".
Via Twitter .
8. Cameron Winklevoss
“Previsão: toda empresa da FAANG terá sua própria moeda dentro de 24 meses.”
Os gêmeos também disseram que não houve perda de amor em relação ao projeto de criptografia de Mark Zuckerberg.
"Há tanta coisa para crescer, quero dizer, neste momento, precisamos ser frenemies."
Via Twitter e CNBC .

Representantes do Facebook

Mark Zuckerberg tentou nos convencer que Libra é privado ( não é ) e descentralizado ( ainda não é ). Enquanto o líder do projeto, David Marcus, prometeu que não era uma ameaça ao bitcoin.
9. Mark Zuckerberg (CEO do Facebook)
“É descentralizado - o que significa que é administrado por muitas organizações diferentes em vez de apenas uma, tornando o sistema mais justo no geral… Esta é uma parte importante da nossa visão para uma plataforma social focada na privacidade.”
Via facebook .
10. Sheryl Sandberg (COO do Facebook)
“Nós não vamos executar isso. Vai ser uma associação que não está reportando ao Facebook. ”
Via Bloomberg .
11. David Marcus (chefe do projeto Libra / Calibra)
“Muitos querem jogar Libra vs. Bitcoin. Na minha opinião, esses dois não estão na mesma categoria. O BTC é um ativo decorrente (investimento). Libra é projetado para ser um meio de troca estável. Eu tenho sido e continuo sendo um fã do BTC, mas para propósitos muito diferentes. ”
Leia o resumo completo de Marcus aqui .

Governos e reguladores

Os governos não ficaram satisfeitos com o plano de criptografia do Facebook. Os membros do Congresso pediram que o desenvolvimento fosse interrompido imediatamente enquanto os bancos centrais estavam cautelosos. Apenas o esperançoso presidencial Andrew Yang teve palavras positivas para Libra.
12. Bruno Le Maire (ministro das finanças francês)
“Está fora de questão que Libra se torne uma moeda soberana. Não pode e não deve acontecer.
Via Bloomberg .
13. A deputada democrata Maxine Waters (presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara) - pediu a suspensão completa da criptomoeda de Libra do Facebook .
"Dado o passado conturbado da empresa, estou solicitando que o Facebook concorde com uma moratória em qualquer movimento para o desenvolvimento de uma criptocorrência até que o Congresso e os reguladores tenham a oportunidade de examinar essas questões e agir".
14. Jerome Powell (presidente do Federal Reserve) - O Facebook confirmado tinha chegado ao Fed para orientação, mas ele teria altas expectativas regulatórias.
“Há benefícios em potencial aqui; também existem riscos potenciais, particularmente de uma moeda que poderia ter grande aplicação ”.
Via CNBC .
15. Mark Carney (governador do Banco da Inglaterra)
“Vamos olhar de perto e de maneira coordenada. Tão mente aberta, mas não porta aberta.
Leia mais sobre seus pensamentos aqui .
16. Elizabeth Warren (candidata presidencial democrata) - Warren compartilhou um artigo do USA Today sobre Libra e disse :
“O Facebook tem muito poder e um histórico terrível quando se trata de proteger nossas informações pessoais. Precisamos responsabilizá-los, e não dar a eles a chance de acessar ainda mais dados de usuários ”.
17. Andrew Yang (candidato presidencial democrata)
“A nova moeda criptografada do Facebook, o Libra, poderia ser um grande passo para as centenas de milhões de pessoas sem acesso ao banco ao redor do mundo. Seu uso do blockchain faz muito sentido. ”
Via Twitter .

Analistas financeiros tradicionais

Algumas das retóricas mais exageradas vieram de analistas tradicionais. A maioria concorda que a criptomoeda do Facebook terá um impacto positivo nas ações da empresa. Mas quase zero dedicou muita análise ao Libra ou ao seu blockchain diretamente.
18. Mark Mahaney (analista do RBC)
“Acreditamos que essa pode ser uma das iniciativas mais importantes da história da empresa para liberar novos fluxos de engajamento e receita.”
Via CNBC .
19. Jim Cramer - O franco apresentador da CNBC elogiou o movimento alegando que "os desprivilegiados acolherão Mark Zuckerberg como um salvador", o que parece otimista. Via CNBC .
20. Michael Levine (pesquisa principal)
“A criptomoeda do Facebook pode ser mais amplamente adotada do que o bitcoin”.
Via CNBC .

A melhor cryptocurrency do Facebook?

Eu vou deixar você com talvez o melhor take no cryptocurrency de Libra do Facebook.
21. Sarah Jamie Lewis (Privacidade Aberta)
“Mal posso esperar por uma criptomoeda com a ética do Uber, a resistência à censura do PayPal e a centralização da Visa, todos unidos sob a comprovada privacidade do Facebook”.
Via Twitter .
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