domingo, 4 de agosto de 2019

Criptomoeda Libra respeitará regras de cada país, diz CEO da PayPal

Dan Schulman, CEO da PayPal (Foto: Wikimedia Commons)

A nova moeda Libra não será implantada à margem das legislações nacionais ou desrespeitando autoridades reguladoras dos sistemas financeiros de cada país. A posição foi apresentada por Dan Schulman, diretor-executivo da PayPal, uma das empresas integrantes do consórcio montado com o objetivo de criar e gerir a moeda, uma rede de companhias liderada pelo Facebook.
“Um princípio que sabemos ser fundacional para a PayPal é que não vamos comprometer nossa obrigação com os reguladores no mundo de ser totalmente de acordo com suas regras”, declarou. Schulman deu entrevista coletiva a jornalistas na sede da empresa em Nova York, nos Estados Unidos, que foi acompanhada pela Agência Brasil.
Ele relatou que a PayPal tem uma relação de longa data com o Facebook, oferecendo infraestrutura para os pagamentos online da plataforma, como o FB Marketplace ou o Instagram Shopping. O diretor-executivo ressaltou que o consórcio ainda está “vendo como será formulada” a iniciativa.
“Ainda estamos trabalhando com reguladores para ter seus inputs. O potencial de blockchain de utilizar diferentes formas de moedas, em alguns casos mais estáveis e outras fora do acesso do sistema, é válido de explorar. Seria um erro não entender o potencial poder dos sistemas em redefinir as formas pelas quais podemos gerir dinheiro mas prover confiança distribuída. Ainda é cedo para a Libra”, diz.
Riscos e críticas
A afirmação de Schulman é uma reação a polêmicas recentes sobre o projeto. A intenção de implantação da moeda foi apresentada em junho. A proposta despertou bastante repercussão, especialmente de governantes e autoridades regulatórias do sistema financeiro.
Entre diretores de órgãos reguladores e parlamentares, surgiram diversas preocupações com o funcionamento da moeda, seus impactos e possibilidades de abusos. Tais alertas envolvem desde questões relacionadas a direito do consumidor e proteção de dados dos usuários até riscos de lavagem de dinheiro e outros tipos de práticas ilegais utilizando a Libra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou seus receios por meio de sua conta oficial no Twitter em julho. Na ocasião, disse “não ser um fã” de critptomoedas, marcadas por alta volatilidade e baseadas “no ar”. “Se o Facebook e outras companhias querem se tornar um banco, eles devem buscar uma autorização e se submeter às autoridades regulatórias bancárias, como qualquer outro banco”, afirma.
Também em julho, o diretor do projeto no Facebook, David Marcus, participou de audiência sobre o tema na Comissão de Assuntos Financeiros do Senado dos Estados Unidos. Na ocasião, Marcus apontou que a regulação ficaria a cargo das autoridades suíças, uma vez que a associação formada para a empreitada está sediada neste país.
Na audiência, o senador republicano Mike Crapo (Idaho) ressaltou que ainda há perguntas importantes sem resposta. “Como o sistema vai funcionar? Quais proteções a consumidores vão ser válidas? Como os dados das pessoas e a privacidade vão ser protegidos? Como o ecossistema da Libra vai interagir com outras regulações contra lavagem de dinheiro? É preciso pensar em como a Libra pode afetar a estabilidade financeira e nas medidas a serem pensadas para mitigar esses riscos”, afirma.
Projeto
Pela proposta anunciada, a libra estará disponível a quem tiver um smartphone e conectividade com a internet, em todo o mundo. As operações poderão ser realizadas, segundo os responsáveis, entre consumidores e empresas em diferentes lugares do mundo.
O objetivo do Facebook e da rede, que ganhou o nome de Associação Libra, é permitir operações financeiras usando a internet e aplicativos diversos, como os da empresa (a rede social de mesmo nome, o Messenger, o Instagram e o WhatsApp). A expectativa é que a critptomoeda esteja disponível em 2020.
A libra usará a tecnologia blockchain, de trocas distribuídas, que dá suporte a outros tipos de criptomoeda, como o bitcoin. Segundo o documento técnico, a libra será lastreada em um fundo formado por ativos em moedas importantes e estáveis. O texto não detalha, porém, quais moedas e que tipo de ativos.
“Diferentemente da maioria das criptomoedas, a libra é totalmente respaldada por uma reserva de ativos reais. Um cesto de depósitos bancários e títulos públicos de curto prazo será mantido na reserva libra para cada libra criada, a fim de inspirar confiança em seu valor intrínseco. A reserva libra será administrada com o objetivo de preservar o valor da libra ao longo do tempo”, explica o documento da Associação Libra.
O Facebook anunciou também uma “carteira” para comprar, poupar, transacionar e gastar a libra, de nome Calibra. Por meio da aplicação, será possível enviar libras a outros contatos que o usuário possui na rede social. No futuro, a expectativa da companhia é possibilitar outras operações, como o pagamento de contas e a realização de compras.
Fonte: epocanegocios.globo.com

sábado, 3 de agosto de 2019

Adultos não se interessam pela criptomoeda Libra do Facebook, diz pesquisa

Imagem de: Adultos não se interessam pela criptomoeda Libra do Facebook, diz pesquisa

Segundo uma pesquisa realizada pela CivicScience com 1.799 adultos dos Estados Unidos, a nova moeda digital do Facebook (Libra), anunciada há algumas semanas, não está tão popular. A enquete questionou o nível de interesse, bem como a confiança na criptomoeda e na própria empresa. Os resultados não são muito favoráveis, pois, embora menos de 10% dos participantes já tenham investido em criptomoeda anteriormente, porcentagens significativas indicam que a maioria das pessoas não demonstra interesse nem confia na novidade.
A respeito do nível de interesse dos participantes na nova criptomoeda, apenas 5% dos entrevistados demonstraram se importar com a Libra. Mais de 85% dos participantes não estavam interessados no novo serviço, e 10% não tinham certeza acerca de seus interesses. A maioria dos entrevistados que demostraram interesse pertenciam à classe de adultos entre 18 e 24 anos.
A enquete também interrogou os entrevistados sobre a confiabilidade nas novas moeda e carteira digitais, em relação ao Bitcoin e a outras criptomoedas já existentes no mercado. Os resultados indicaram que apenas 2% dos adultos que expressaram sua opinião acreditavam que a Libra e sua carteira Calibra seriam mais confiáveis que o Bitcoin. Do total de adultos, 35% afirmaram que confiariam muito menos na nova criptomoeda, 5% um pouco menos, enquanto 19% disseram que confiariam igualmente nas duas opções.
Pesquisa mostra desinteresse na Facebook libra (Fonte: Pixabay/Reprodução)Pesquisa mostra desinteresse na Facebook Libra. (Fonte: Pixabay/Reprodução)
Quando questionados se confiam na mídia social Facebook, mais de 20% dos adultos entrevistados confirmaram confiar um pouco, e apenas 2% confiam muito. Por outro lado, 77% dos participantes disseram que não confiavam na empresa.

Razões da desconfiança

Em meados de junho deste ano, Mark Zuckerberg anunciou o lançamento de sua criptomoeda para 2020, com o objetivo de possibilitar transações financeiras dentro das plataformas — Instagram, Facebook, Messenger e WhatsApp. Como se vê, a popularidade do novo serviço não está muito em alta, mesmo antes do funcionamento.
O baixo porcentual de pessoas que confiam na mídia social e na sua nova proposta pode estar relacionado ao histórico de escândalos de privacidade e manuseio de dados de seus usuários. A CivicScience informou, no entanto, que mais pesquisas são necessárias para se compreender esses níveis de desconfiança.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Libra - um salto para onde?

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Era inevitável que a aceleração da inovação tecnológica acabasse por colocar problemas novos e de complexidade crescente às Autoridades responsáveis pela regulação e pela estabilidade dos mercados. Foi o que aconteceu com o aparecimento das chamadas criptomoedas.

1. Uma chamada "Libra Association" - com o Facebook à cabeça e envolvendo empresas como a Visa, a Mastercard, a Uber, a PyPal, a eBay e outras - anunciou o lançamento de um novo tipo de moeda digital - a Libra.

O que se conhece da "arquitectura" desta moeda leva a admitir que pode vir a ter um impacto de grande complexidade sobre segmentos importantes dos mercados financeiros. É o que me proponho abordar neste e em próximos artigos.

2. Para compreender o que está em causa, temos de avaliar a iniciativa do Facebook à luz da evolução recente dos mercados financeiros. Como sabemos, o movimento de globalização e de integração destes foi acelerado, a partir da década da 70 do século passado, pela convergência de dois factores: por um lado, o triunfo das concepções liberais que defendiam o desmantelamento das barreiras que travavam os movimentos de capitais; por outro, uma inovação tecnológica muito rápida que tornou possível a armazenagem, o processamento e a transferência de grandes volumes de informação a custos cada vez mais baixos. Como reflexo deste movimento generalizaram-se regimes cambiais em que o valor das moedas passou a flutuar nos mercados. O que, por sua vez, alterou profundamente o contexto em que as próprias políticas monetárias passaram a ser conduzidas.

Evolução que acelerou um processo de desmaterialização monetária induzido pela inovação tecnológica, acompanhada por mudanças dos hábitos e dos comportamentos de grupos cada vez mais alargados de agentes económicos. À medida que a globalização e a integração dos mercados financeiros prosseguia, também se intensificavam as transacções e os fluxos de capitais, suportados por plataformas tecnológicas especializadas e por lucrativos sistemas de transferências e de pagamentos. Transformações que não abalaram de forma significativa a capacidade de acompanhamento e de intervenção da generalidade dos Reguladores - em particular dos Bancos Centrais que mantiveram o privilégio de emitir a chamada "moeda primária" que forma a base de todo o processo de criação monetária (*). Para além da sua capacidade para manipular o nível de liquidez nos mercados, quer directamente através da injecção de liquidez, quer alterando o nível das taxas de juro, o que, por sua vez, influencia as decisões de consumidores, produtores e investidores.

Era inevitável que a aceleração da inovação tecnológica acabasse por colocar problemas novos e de complexidade crescente às Autoridades responsáveis pela regulação e pela estabilidade dos mercados. Foi o que aconteceu com o aparecimento das chamadas criptomoedas suportadas por uma nova tecnologia conhecida como "blockchaine". No entanto e apesar dos riscos dos cripto-investimentos, a generalidade dos Reguladores tem - até ao momento - avaliado as criptomoedas com alguma tranquilidade, considerando-as claramente um fenómeno que permanece marginal. Atitude que não vai ser possível manter depois do anúncio da nova moeda digital - a Libra. Embora igualmente suportada pela tecnologia "blockchaine" e com emissores privados, apresenta-se com características inovadoras susceptíveis de ter um impacto de grande complexidade sobre a organização institucional e sobre o funcionamento dos mercados financeiros. Em particular, sobre segmentos lucrativos do negócio bancário e dos sistemas e plataformas de pagamentos, podendo mesmo vir a condicionar - naturalmente na ausência de um quadro regulamentar adequado - a condução e a eficácia das políticas monetárias. Questões para próximos artigos. 

(*) - Esta moeda constituída pelas "Notas" é por vezes chamada "High Powered Money" por formar a Base Monetária.

Fonte: www.jornaldenegocios.pt

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Possível fracasso da libra pode ajudar o bitcoin

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O projeto de moeda digital libra, do Facebook, pode não ir adiante se questionamentos de parlamentares norte-americanos ganharem força, e isso não necessariamente será ruim para o preço do bitcoin, avalia o analista-chefe da XDEX, plataforma de compra e venda de criptomoedas, Fernando Ulrich.
Ele argumenta que há no Congresso norte-americano uma sensação de negócios não acabados com a gigante de tecnologia, após os eventos relacionados ao escândalo de vazamento de dados da empresa de mídia social para a Cambridge Analytica, por exemplo.
“Se elevar demais o tom ou isso se tornar uma briga maior, (a libra) pode nem sair do papel”, disse Ulrich à Reuters. A XDEX tem como sócios o Grupo XP e General Atlantic.
Em junho, o Facebook anunciou que se uniu a 28 parceiros para formar uma entidade sediada em Genebra chamada Libra Association, que administrará sua nova moeda digital a ser lançada no primeiro semestre de 2020. Mas desde então tem sofrido questionamentos de órgãos reguladores, parlamentares e governos.
Os congressistas norte-americanos não querem que o projeto colete as informações e armazene os dados dos usuários, incluindo hábitos de pagamentos, e desejam que ele seja o mais descentralizado e mais privado possível, mas querem poder monitorar movimentações para evitar fraudes, como lavagem de dinheiro, disse o analista.
Para Ulrich, o fato da libra ser um projeto relativamente centralizado impossibilita comparações com o bitcoin e outras criptomoedas e um eventual fracasso do projeto do Facebook deveria beneficiá-las.
“O bitcoin não pode ser encerrado pelas autoridades por decreto ou vontade política. Isso é impossível, é como querer acabar com a lei da gravidade… Acho que reforça cada vez mais (a tese do bitcoin). O bitcoin, por ironia do destino, pode acabar sendo ainda o grande beneficiado dessa história toda.”
Fonte: exame.abril.com.br

terça-feira, 30 de julho de 2019

Facebook diz que há chances da criptomoeda Libra não ser lançada

Libra Facebook

Desde quando decidiu afrontar o sistema financeiro global com sua criptomoeda própria, a Libra, o Facebook se colocou de volta na mira de críticas de governos e especialistas ao redor do mundo. Por isso, embora espere estrear a moeda digital em 2020, a empresa disse a investidores em seu último relatório trimestral à Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) que várias barreiras regulatórias podem impedir que a Libra seja lançada.

Falando sobre os fatores de risco do lançamento de uma rede de transações virtuais com base na Libra, o Facebook afirmou reconhecer a reação dos legisladores e reguladores quanto ao projeto, anunciado em junho passado. "A Libra tem gerado um escrutínio significativo de governos e reguladores em várias jurisdições e esperamos que o escrutínio continue", disse o Facebook em seu comunicado à SEC.

O plano do Facebook é criar uma rede financeira global para sua moeda digital própria usando, para isso, a tecnologia blockchain, um grande banco computacional de registro de transações com criptomoedas. A proposta é facilitar a transferência monetária em nível mundial e ser uma alternativa a quem não tem acesso a serviços bancários convencionais.
A ideia da companhia de Mark Zuckerberg, no entanto, não foi bem recebida por reguladores e legisladores ao redor do mundo, que veem muitos riscos na entrada do Facebook do mercado de criptomoedas, ainda tão solto em meio a poucas leis e regulamentações.
A preocupação é que, se a rede de mais de 2 bilhões de usuários diários do Facebook aderir à Libra, o sistema monetário dos países entraria em colapso e as moedas estatais seriam enfraquecidas, inclusive as mais valiosas, como o dólar. O acesso da rede social aos dados de transação das pessoas e o possível aumento de atividades ilegais no meio digital, como o tráfico de drogas, com o uso de criptomoedas são outros possíveis danosapontados pelos governos.

Por essas dúvidas em tono da Libra, a empresa assume que a aceitação da criptomoeda no mercado está "sujeita a uma incerteza significativa". Mais ainda: o Facebook revelou que não pode garantir que a Libra ou os produtos e serviços associados à moeda serão disponibilizados "em tempo hábil ou de forma alguma". "Não temos experiência anterior significativa com moeda digital ou tecnologia blockchain, o que pode afetar adversamente nossa capacidade de desenvolver e comercializar com sucesso esses produtos e serviços", acrescenta.
Desde a divulgação de planos para Libra e Calibra, subsidiária do Facebook que irá desenvolver uma carteira digital para a criptomoeda, a empresa enfrentou críticas de autoridades governamentais nos Estados Unidos(EUA) e em outros países.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, e o presidente do Federal Reserve (sistema de bancos centrais dos EUA), Jerome Powell, também se preocupam com os efeitos da Libra no mercado financeiro. O ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, e o membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, Benoit Coeure, também expressaram preocupações parecidas.
Facebook: "não podemos fazer isso sozinhos"
Em uma declaração à CNBC nesta segunda-feira (30), uma porta-voz do Facebook disse que a empresa está envolvendo abertamente legisladores, reguladores e especialistas na criação da Libra.

"Sabemos que a jornada para o lançamento da Libra será longa e que não podemos fazer isso sozinhos", escreveu a porta-voz. "O envolvimento com reguladores, formuladores de políticas e especialistas é fundamental para o sucesso da Libra", completou.
Zuckerberg se posicionou da mesma forma em uma conversa com analistas na semana passada. Ele assumiu que, há alguns anos, a empresa "provavelmente tentaria lançar um produto por conta própria", sem envolver o interesse de outras partes.
"Agora, a [nossa] abordagem é delinear as ideias e os valores que achamos que um serviço deveria ter, deixar um período aberto para abordar questões de reguladores, especialistas e constituintes sobre o assunto e então descobrir a melhor maneira de seguir em frente", disse Zuckerberg.

Fonte: olhardigital.com.br

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Gustavo Franco: Libra é um tipo diferente de criptomoeda



No último domingo, Gustavo Franco, ex-presidente do Banco central e um dos pais do Plano Real, em sua coluna dominical no O Globo, falou sobre suas impressões a respeito do Projeto Libra, do Bitcoin e das criptomoedas em geral.
Para Franco, que até então evitava dar opiniões públicas a respeito desse novo tipo de ativo, as criptomoedas são um tipo de inovação que outrora eram vendidos como “meio de pagamento”, atualmente são vendidas como “tecnologia de pagamento”, segundo Franco. O que já torna sua adaptação às regras e ao convívio financeiro com as demais instituições financeiras mais próximo da realidade.
Seguindo nessa linha de raciocínio, Franco, enxerga na iniciativa do Facebook com a Libra um evento a se prestar atenção, pois este mescla a inovação das criptomoedas, o Blockchain e à proximidade às moedas reais. Visto que o Projeto Libra afirma que lastreará sua criptomoeda à moedas nacionais. Para Franco o blockchain adotado pela Libra será mais adequado que das demais criptomoedas e em particular do Bitcoin, que consome quantidades colossais de eletricidade para ser gerido.
Para Gustavo Franco, somente um gigante do tamanho do Facebook poderia se lançar a uma empreitada desse porte que neste primeiro momento tem somente melindrado os diversos estados nacionais e suas políticas monetárias.
Além do fato de que um evento desse porte pode abrir o precedente de empresas inúmeras tais como McDonald’s ou Starbucks lançarem suas próprias moedas. Para Franco é impossível parar o curso da inovação.
Fonte: moneytimes.com.br

domingo, 28 de julho de 2019

Libra: construída como 'criptomoeda', mas lastreada por reservas em ativos reais

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Muitas novas moedas surgiram nos últimos anos, e os formatos tão variados que se entende por que não se fala mais de “meio de pagamento”, mas em “tecnologia de pagamento”.
A novidade mais instigante, dentre tantas, é a Libra, proposta pelo Facebook como “uma moeda estável”, construída como uma “criptomoeda”, mas lastreada por reservas em ativos reais e governada por uma associação independente.
Esse pacote é novo, mas seus elementos provêm de ao menos três experiências precursoras: a primeira, de 2007, é o M-Pesa, introduzido no Quênia pela operadora local de telefonia celular — Safaricom, onde a gigante inglesa Vodafone tem 40% de participação. O interesse inicial mirava no microcrédito, mas rapidamente se verificou que a maior demanda era para a transferência de dinheiro entre pessoas, e foi assim que o M-Pesa viralizou e se tornou dominante. As pessoas “depositavam” dinheiro, ou carregavam seus pré-pagos, e ganhavam a capacidade de enviar dinheiro, ou minutos, a pessoas/aparelhos por todo o país.
O segundo conjunto de experiências precursoras é bem maior: some-se aí os 900 milhões de usuários do Ali Pay e os 700 milhões do WeChat Pay na China. Como qualquer viajante é capaz de relatar, não se usa mais dinheiro no país, nem cheques e mesmo cartões de crédito. Tudo isso parece existir apenas num “subsolo” de onde esses dois gigantes são capazes de verificar a existência de poder de compra, convertê-lo em formato digital e fazê-lo transferível entre celulares através de leitura de um QR Code. Nesse protocolo, transferir dinheiro é tão fácil quanto mandar uma foto, exatamente a experiência que a Libra se propõe a oferecer.<SW>
O terceiro conjunto é o das criptomedas, criaturas singulares cujo aspecto definidor mais frequente é um sistema de verificação e custódia descentralizado, conhecido como blockchain . A mais famosa delas é o bitcoin, mas quase todas as outras, e existem mais de duas mil variantes, são empresas que emitem tanto “ações” (com direito a influir na governança) quanto “moedas”, que são apenas um outro tipo de passivo não exigível, ou dívida sem prazo de resgate, nem juros, que as pessoas aceitam por sua própria vontade.
Parênteses aqui: a obrigação de aceitar uma moeda, conforme fixada em lei (o chamado “curso legal”), é o que define a moeda nacional. Qualquer outro instrumento de pagamento sem essa propriedade não é, juridicamente, moeda.
<SW,-16>O bitcoin é o caso mais espetacular de criptomoeda pois, se fosse uma empresa, valeria US$ 175 bilhões (valor de todos os bitcoins em circulação). Só que não tem ações, nem acionistas ou governança. Somadas, todas as outras (cem maiores) criptomoedas valem pouco menos de US$ 100 bilhões, sendo que 14 delas valem mais que US$ 1 bilhão.<SW>
É com essas que a Libra se parece.
<SW,-16>Nesses casos, o emissor é uma empresa, ou algo parecido, e a criptomoeda pretende ser o vértice de um “ecossistema” empresarial composto de “contratos inteligentes” e novos tipos de empresas sempre descritos em termos futuristas em um white paper , o equivalente ao prospecto nesse mercado de capitais desse novo offshore do futuro.<SW>
Nada diferente do que se passa com a Libra, que adota um blockchainmais simplificado e eficiente (sem o absurdo consumo de energia do sistema original), se organiza como uma associação sem fins lucrativos e adota uma governança cheia de cautelas, envolvendo diversas empresas de tecnologia, mas nenhum banco.
<SW,-16>Em resumo, o modelo já existe, apenas se teme a escala que possa alcançar uma vez patrocinado por um gigante como o Facebook, e se teremos controles internos como os que valem para os bancos. Em tese, todavia, qualquer empresa global, mesmo sem ser big tech , poderia empreender algo semelhante. O McDonald’s poderia criar o Mac, uma criptomoeda conversível em Big Macs. O Starbucks, o Star, funcionando como um vale-cappuccino, tudo em blockchain . Por que não?<SW>
Na verdade, quando se faz essa pergunta, a inovação já se tornou inevitável.
Fonte: oglobo.globo.com